Inês guardou o cartão e enviou uma mensagem para Mariana.
— Onde você está?
— No Lounge Paradiso, no nonagésimo nono andar. Pode subir.
O Lounge Paradiso era o lounge executivo do Hotel Mar e Simões, oferecendo serviços de alimentação e pequenas salas de reunião para atividades de negócios, além de ocasionais degustações de vinhos. Era um espaço de socialização.
Logo, Mariana enviou outra mensagem:
— Ah, esqueci, você não tem reserva no hotel, provavelmente não vai conseguir subir. Vou ligar para a recepção liberar.
O tom era de pura superioridade.
Depois de ligar para a recepção, Mariana sentou-se no sofá. A seus pés, havia uma caixa de papelão jogada de qualquer jeito. Na mesa, havia petiscos simples e duas taças de vinho branco.
Pouco tempo depois, ela viu Inês se aproximando e ergueu levemente a mão.
— Senta aí.
Inês viu a caixa de papelão e se curvou para pegá-la, mas Mariana pisou em cima. O salto alto perfurou o papelão, deixando uma marca.
Inês franziu a testa.
— Eu mandei você sentar, então senta. Qual a pressa? As coisas estão aqui, não vão fugir.
Inês sentou-se:
— O que preciso fazer para você me devolver as coisas?
— Depende do meu humor. — Mariana estendeu os dedos, admirando as unhas de gel com pedrarias que acabara de fazer, e perguntou sorrindo: — O que achou das minhas unhas hoje? São diamantes de verdade, viu? A Julieta pagou para mim. Ela é muito mais generosa que você.
Inês olhou para as unhas brilhantes e assentiu:
— Bonitas.
— Até que você tem algum gosto. — Mariana ergueu o queixo com presunção e apontou para os restos de petiscos na mesa. — É uma pena desperdiçar isso, que tal você terminar de comer?
Mariana nunca foi de valorizar comida.
Ela fazia aquilo puramente porque achava divertido dar ordens aos outros.

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