Rodrigo virou-se e partiu rapidamente.
Inês demorou um pouco para processar. Quando retornou ao laboratório de pesquisa, uma mensagem pipocou no grupo [O Simões Hoje Tá Que Tá (4)].
Esther: [O Diretor Simões foi muito repentino. Foi tomar banho à tarde.]
Ela tinha acabado de ver o Diretor Simões entrar na sala de descanso com uma toalha na mão, o cenho franzido e passos apressados.
Daniela: [Foi mesmo repentino. O dia deve estar quente demais, ele deve precisar de um banho de água fria para se acalmar.]
Inês olhou para o céu. Estava nublado.
Além disso, o inverno estava se aproximando.
Até fazia sentido associar o banho a se acalmar, mas o que "dia quente demais" tinha a ver com a história?
As palavras de Daniela deixaram Inês um tanto confusa, mas ela ainda assim digitou e enviou: [O Diretor Simões é asseado, é um ótimo hábito.]
Daniela: [Isso, o Diretor Simões sempre foi um homem muito íntegro. Eu, Esther e Noel podemos testemunhar.]
Noel: [Absoluta verdade.]
Esther: [Noel, você aparece e desaparece como um fantasma. Quando você volta?]
Noel: [Volto assim que pegar as coisas.]
Inês respondeu desejando uma boa viagem de negócios e guardou o celular para continuar seu trabalho.
...
Douglas encontrou sua irmã, Lucinda, no aeroporto. Após um breve abraço, levou-a para o hotel e fez o check-in no quarto ao lado do seu.
Julieta havia mandado uma mensagem dizendo que não estava se sentindo muito bem naqueles dias e que não podia ir para muito longe. Sugeriu que, se não se importassem, poderiam procurar um restaurante local perto da casa dela para comerem.
Douglas estava preocupado com Julieta e desesperado para vê-la. Percebendo as intenções do irmão, Lucinda, naturalmente, não o impediria.
Os dois irmãos chegaram ao térreo do prédio de Julieta.
Já era hora da refeição, e o cheiro de comida pairava pelo prédio. Lucinda estava visivelmente com fome.
Douglas tirou do bolso do casaco um bolinho embalado, abriu e entregou à irmã.
— Vim a passeio — respondeu Lucinda.
— Que pena... — comentou Julieta. — Eu vou ter que fazer companhia aos meus pais durante esse tempo, então não poderei passear com você. O Douglas não está ocupado, não é? Se não estiver, passe mais tempo com a Lucinda.
— Por mim tudo bem — disse Douglas.
— Eu não preciso dele, ele só vai me atrapalhar — Lucinda sorriu e rebateu.
Os três chegaram ao restaurante e se sentaram. Douglas olhou para a irmã com um leve descontentamento: — Você vai atrás dele de novo? Não pode parar de mendigar atenção onde não é bem-vinda?
— Não posso, eu simplesmente gosto dele — Lucinda encostou-se na cadeira do restaurante e falou abertamente.
— Ah? — Julieta se surpreendeu. — A Lucinda tem alguém de quem gosta?
— Sempre tive. Incrível que o meu irmão não te contou — Lucinda tomou um gole de água e sorriu.
— Ele não é para você — Douglas exibia uma expressão de desagrado.
— Só dá para saber se dá certo tentando. Eu ainda não o conquistei, não é? — Após dizer isso, Lucinda olhou para Julieta, desviando o assunto de si mesma. — E você e o seu namorado, como estão?

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