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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 409

Ao receber aquela ligação, Inês sentiu o sangue gelar nas veias. No fim das contas, ela havia subestimado a hipocrisia de Abel e a baixeza da natureza humana.

Abel era como uma lâmina disfarçada de veludo.

Uma lâmina suave, que cortava profundamente sem derramar uma única gota de sangue.

— Abel, o que você quer fazer? — Ela estava do lado de fora do laboratório, com pessoas passando por perto a todo momento, então só lhe restava perguntar em um sussurro entredentes.

— Não quero fazer nada, só quero conversar com você. Podemos conversar? — O tom de Abel era gentil, soando quase como uma súplica.

— Inês, eu recebi a sua notificação extrajudicial. Chegou há seis dias, redigida de uma forma muito diplomática. Foi o Rodrigo quem te ensinou isso?

— Eu já te disse que ele é traiçoeiro. Se você se aproximar demais dele, não vai acabar be...

— Abel, você é o mais traiçoeiro aqui. — Inês desligou a chamada. A raiva fervia dentro dela como magma incandescente, borbulhando sob uma fachada aparentemente calma, que nem mesmo o clima gélido conseguia apagar.

Ela se conteve ao máximo e respirou fundo. No segundo seguinte, chegou uma mensagem de texto de Abel.

[Vejo você amanhã às dez da manhã, Inês.]

[O Mike agora tem o sobrenome Salvador. Ele está morando com a família de um primo distante, a vida dele não está nada fácil e ele nem estava indo à escola. Mas eu já cuidei de matriculá-lo. Sobre os detalhes, conversamos amanhã.]

Esse trecho aparentemente inofensivo escondia segundas intenções.

Abel havia mandado Mike para a escola. Não havia como acusá-lo de "cárcere privado" ou "sequestro", então a polícia não poderia intervir.

Para qual escola exatamente ele o enviou? Apenas Abel sabia. Se Inês quisesse descobrir, teria que ir ao encontro dele. E se não fosse, o que mais Abel poderia fazer com Mike? Tudo era uma incógnita.

Abel estava apostando justamente no afeto que Inês sentia por Mike.

Ao longo dos anos, Inês era a única que voltava ao orfanato todo Natal. Ela ia todos os anos, enquanto os outros que haviam saído de lá só faziam visitas esporádicas. Por isso, as crianças eram muito apegadas a ela.

Mike não era o mais próximo de Inês, nem o que ela mais se preocupava.

Inês sentia um pouco de raiva de si mesma.

Mas de nada adiantava se culpar. A pessoa covarde e traiçoeira da história era Abel.

Inês ligou para a Dra. Barros, a diretora do orfanato, que era como uma mãe para ela, para perguntar sobre Mike.

— Sem a documentação e as provas necessárias, eu não posso te contar nada. Isso vale para qualquer um, sem exceções. Mas... você pode vir nos visitar mais cedo, não pode? — respondeu a Dra. Barros.

Inês entendeu a indireta da diretora.

Mesmo que voltasse agora, não daria tempo. Abel exigia encontrá-la no dia seguinte, às dez da manhã.

— Eu vou passar o Natal com vocês este ano. — disse Inês, suavizando o tom de voz para não preocupá-la.

— Vem para passar a ceia de Natal ou só para fazer uma visita rápida como das outras vezes? — perguntou a Dra. Barros, surpresa.

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