O som estalado do tapa deixou todos atordoados.
— Mariana, eu já disse: tenha mais respeito quando fala.
Mariana reagiu com atraso, tocou o rosto formigando e arregalou os olhos, incrédula: — Inês, você se atreveu a me bater? Você realmente se atreveu a me bater?!!
Ela ficou tão brava que seus olhos avermelharam.
Partiu para cima de Inês, mas foi segurada a tempo pelos funcionários da loja.
— Inês! Eu falei alguma mentira? Você é uma órfã que ninguém quis! Só teve uma família porque encontrou meu irmão! E essa sua irmã não é também uma órfã do abrigo que ninguém quis? Onde foi que eu errei?
— Você se atreveu a me bater! Você realmente teve a coragem! Vou contar para o meu irmão, vou fazer meu irmão se divorciar de você!
— Julieta, liga pro meu irmão, manda ele vir aqui ver a verdadeira face da Inês!
Julieta nunca imaginou que Inês, com aquele temperamento submisso, teria coragem de levantar a mão para Mariana.
— Inês, você sabe muito bem que o Abel mima essa irmã mais do que tudo, por que você bateu nela? Peça desculpas à Mariana e eu falarei bem de você para o Abel.
— Sra. Rocha, eu não preciso da sua ajuda. — Inês olhou para Mariana, que gesticulava furiosamente. — Eu te dei moral demais no passado.
Julieta franziu a testa novamente: — Você tem noção do que está dizendo?
Inês nem se deu ao trabalho de olhar para ela; virou-se para Alice.
A expressão no rosto de Alice mudava rapidamente, do choque inicial para uma tristeza profunda.
Ela não sabia que a Inês tinha crescido num orfanato. Será que tudo o que ela disse antes sobre ser rica e ter uma família feliz tinha machucado a Inês?
— Alice, o que foi? — Inês achou que ela tinha ficado assustada com a cena.
Alice disse de repente: — Desculpa, minha linda.
— O quê? — Inês viu o bico que ela fez, com uma cara de choro.
— Eu não sabia que você era... — Ela não quis dizer a palavra, e balançou a cabeça.
Inês entendeu.
Ela estava sendo acolhida.

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