— Vovô... — Julieta engoliu em seco e apressou-se em se desculpar. — Eu errei, mas eu realmente não sabia de nada antes. Só descobri que o Abel era casado quando voltei ao país. Além disso, os três milhões mensais que o Abel me dava eram um investimento dele em mim. Investimento privado não deixa de ser investimento, como podem me pedir para devolver isso?
— Você diz que não sabia? Então como me explica o que disse da última vez, de que o Abel só havia se casado com a Inês para provocar você a voltar?
Julieta engasgou com as próprias palavras: — Só descobri depois de voltar. Vovô, a Inês está fazendo isso de propósito. Ela não suporta olhar para mim e também o odeia, por isso está usando essa tática para nos envergonhar.
— Julieta! — o Sr. Ximenes gritou enfurecido. — O que mais você está me escondendo?! Já viu a quantia absurda escrita neste documento? Já viu tudo o que está listado aqui?!
— Carros de luxo, imóveis de alto padrão, diversas joias de valor inestimável e outros bens móveis! Eu sabia que o Abel gastava dinheiro com você, mas como pôde chegar a esse ponto?!
— Não foi porque eu pedi.
— E você não sabia dizer não?!
— Naquela época eu nem sonhava que ele era casado, ele sempre dizia que era apaixonado por mim... — Na verdade, ela simplesmente nunca considerou que a Inês daquela época pudesse ser uma ameaça.
— Se ele gostava tanto assim de você, por que continuou adiando o casamento?! — A frase cortante do Sr. Ximenes calou-a por completo.
Sem conseguir formular nenhuma desculpa convincente, Julieta sentiu-se imensamente injustiçada.
— Isso era problema dele, de que adianta o senhor brigar comigo agora?
Vendo os olhos da neta marejarem de mágoa, pela primeira vez o Sr. Ximenes não fez nenhum movimento para consolá-la. Em vez disso, continuou a repreensão: — Eu não tinha avisado para você não se envolver mais com o Abel?! Eu mandei você se aproximar do Douglas Siqueira, mas você trata as minhas palavras como vento! Você ainda quer ou não ter um futuro na pesquisa científica?!
O Sr. Ximenes sabia melhor do que ninguém que, para se firmar em qualquer meio de prestígio, a competência abria portas, mas não servia de escudo.

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