Mais uma vez, Julieta mandou os pais embora.
A mãe de Julieta demonstrou certo desagrado. Na última vez em que tentara se encontrar com Abel para conversar a sós sobre o bebê, a mãe dele apareceu e falou atrocidades.
— Agora que Abel se divorciou, seu pai e eu gostaríamos de falar com ele sobre o casamento de vocês.
— Ainda não é a hora. — recusou Julieta.
— E quando será a hora? — O tom do pai de Julieta não foi dos melhores. Aquele era o seu limite de autocontrole, pois ultimamente, devido à dívida da filha, seus cabelos brancos haviam se multiplicado.
— O filho de vocês com o Abel já está com quase dois meses. Se não começarem a planejar o casamento logo, você quer se casar de barriga?
Julieta abriu a boca, mas não conseguiu proferir nenhuma resposta.
— Pelo menos até toda essa confusão acabar.
Abel agora estava sem aquele salário anual de milhões de reais e sequer havia mencionado quais rumos daria à sua carreira; talvez não tivesse mais condições de sustentá-la ou sustentar a criança.
Ela não queria sofrer, e o filho que carregava no ventre muito menos.
No momento, ela queria apenas usar o filho para fazer com que Abel se dispusesse de bom grado a desembolsar o dinheiro mais uma vez.
As engrenagens na cabeça de Julieta trabalhavam a todo vapor.
Após acompanhar a partida de seus pais com o olhar, ela voltou ao quarto segurando a intimação judicial. Entregando-a a Abel, falou com seriedade:
— Você tem razão, aguentar. Devolverei o que for preciso.
Abel lançou-lhe um olhar de surpresa.
Julieta deu-lhe um sorriso sutil e murmurou, num tom que ele pudesse ouvir claramente:
— Se eu soubesse que aceitar todas aquelas coisas boas significaria devolver tudo, e que seria eu a única a pagar a conta, eu não teria aceitado.
Quando ela abaixou os olhos, seu sorriso tornou-se amargo.
O coração de Abel deu um salto.
Fora ele quem dera todas aquelas coisas a Julieta.

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