Abel hesitava se deveria ou não procurar Inês.
Mas sentia vergonha de encará-la.
Além disso, faltavam apenas dois dias para a audiência no tribunal.
Ele também era um dos réus.
Em meio à sua hesitação, a voz de Julieta soou atrás dele:
— Abel.
Julieta estava vestida de forma muito suave naquele dia. Usava um sobretudo branco acinturado, calças da mesma cor despontando sob a bainha, sapatilhas e uma maquiagem leve, com um batom apenas para dar um tom saudável aos lábios.
Aquilo contrastava totalmente com o seu estilo exuberante de sempre.
Pelo contrário, lembrava um pouco... Inês.
Quando Abel se virou e a viu, teve um breve momento de transe, achando que quem o chamara fora Inês.
No segundo seguinte, ao perceber que era Julieta, ele franziu levemente as sobrancelhas. Observando-a se aproximar, perguntou:
— O que faz aqui?
— Ouvi dizer que algo aconteceu com a sua mãe, vim dar uma olhada. — O rosto de Julieta transparecia preocupação. — Mas, principalmente, queria ver você. Fiquei com medo de que estivesse sob muita pressão, guardando tudo para si.
— Abel, você emagreceu. — Ela levantou a mão, querendo acariciar o rosto dele.
Abel virou o rosto e se esquivou.
— Tenho estado bastante ocupado.
— Eu sei. — Julieta recolheu a mão, sem graça. — Me leve para ver a sua mãe, por favor.
— Minha mãe não está bem emocionalmente.
Julieta deu um sorriso amarelo:
— Não tem problema. Não vou levar a mal nada do que ela disser.
Abel cerrou os lábios:
— O que quero dizer é que tenho medo de que a sua presença a perturbe. O estado emocional afeta muito a condição dela.
O rosto de Julieta congelou.
— Abel, eu sou tão desprezível assim aos olhos da sua família? — Lágrimas começaram a se formar em seus olhos.
Abel entreabriu os lábios, mas não conseguiu proferir nenhuma palavra para refutá-la.
Julieta respirou fundo e, de repente, acariciando a barriga, disse:


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