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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 488

— Eu não fiz de propósito, foi sem querer.

— Quem garante se foi sem querer ou de propósito? — retrucou a mãe de Julieta. — Você nunca quis esse bebê. Mesmo com ela grávida, você jamais pensou em se casar com ela. Por acaso ela engravidou sozinha?

Abel foi humilhado e não ousou retrucar.

Após refletir bastante, só conseguiu murmurar uma frase:

— Eu vou compensá-la de alguma forma.

— E como você acha que vai compensar isso? — gritou a mãe. — Suma daqui! Vá para o diabo que o carregue!

Enxotado dali, Abel teve que seguir de um quarto do hospital para outro.

Mas, antes de chegar à porta do quarto da mãe, o acúmulo de pressões fez sua cabeça latejar de dor a ponto de estourar, e ele desmaiou.

— Irmão! — gritou Mariana, que por acaso saía do quarto naquele exato momento.

Mariana correu até ele, mas não tinha forças para erguer o corpo desacordado do irmão. Ela começou a chorar de desespero.

— Irmão, o que aconteceu com você? Enfermeira! Doutor! Doutor!

Ela gritava a plenos pulmões.

O pai, ouvindo o alvoroço, saiu do quarto. As enfermeiras também correram, e, juntos, conseguiram colocar Abel numa cama.

Após exames preliminares, descartou-se qualquer lesão orgânica. A suspeita era de exaustão extrema e sobrecarga de estresse emocional.

Com o colapso de Abel, a pessoa que chorou com mais desolação foi Mariana.

Era como se o pilar que sustentava a família tivesse desmoronado.

Mariana estava não só preocupada com o bem-estar do irmão, mas também aterrorizada.

Ultimamente, a expressão "uma desgraça nunca vem só" já não era suficiente para descrever a situação da Família Rocha. Estavam vivendo um inferno de calamidades, uma tragédia após a outra.

Abel ardia em febre alta.

No delírio febril, ele ora chamava pelo bebê, ora pedia desculpas, ora clamava pelo nome de Inês.

No fim, apenas o nome de Inês ecoava em seus murmúrios.

Mariana enxugou as lágrimas e, mais uma vez, forçou a entrada na Mansão Serra Sul 9. Ao ouvir o latido dos cães, chorou ainda mais copiosamente.

— Inês! Cunhada! Minha cunhada!

— Você pode, por favor, ver como está o meu irmão?!

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