— Que tal daqui a uns dois dias? — sugeriu Abel com um sorriso gentil. — Eu mesmo levo a Inês até lá.
— Minha patroa já está esperando no carro. Ela tomou os remédios e continua indisposta, chamando pela Sra. Inês. O Diretor Rocha, que sempre foi um filho exemplar, deve entender como é. Quando se está doente, a gente só se acalma com pessoas queridas por perto — disse o Sr. Vieira com um sorriso paternal. — Espero que o Diretor Rocha permita que minha patroa tenha uma boa noite de sono hoje.
Abel ficou sem argumentos para recusar.
— A Inês ainda está fazendo hora extra, não voltou.
— Muito obrigado, Diretor Rocha. Nós mesmos passaremos lá para buscar a Sra. Inês.
O Sr. Vieira virou-se para sair, mas Abel o chamou:
— Quanto tempo a Inês vai ficar lá?
— Assim que o estado emocional e físico da minha patroa se estabilizar, eu mesmo trarei a Sra. Inês de volta.
Abel imaginou que levaria alguns dias e disse:
— Então é melhor esperar ela voltar para pegar algumas roupas.
— Na Mansão Oliveira há roupas da Sra. Inês, o Diretor Rocha não precisa se preocupar.
Abel abriu a boca, mas apenas uma palavra saiu:
— Tudo bem.
O Sr. Vieira voltou para o carro e informou que Inês ainda estava na empresa. Cláudia Ferraz perguntou a ele:
— O que o Abel disse sobre a Inês ir para minha casa?
— Não pareceu muito disposto.
— Disposto a quê? Não é bom para ele liberar espaço para a outra mulher? Para que esse fingimento? — Cláudia sinalizou para o motorista seguir para o Grupo Simões.
O celular de Inês estava desligado, então ela não recebeu a ligação da Dona Cláudia. Assim que saiu do prédio, avistou o Sr. Vieira.
— Sr. Vieira! — ela correu até ele.
O Sr. Vieira sorriu:
— Sra. Inês.
Inês suspirou internamente. Só o Sr. Vieira a chamava assim. Ela nunca se acostumara e já pedira para ele usar seu nome, mas ele sempre respondia "Pois não, Sra. Inês", e ela acabara desistindo.
— A patroa está no carro.
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