Uma notificação piscou em seu celular. Alex Azevedo já havia organizado tudo. Assim que o quadro clínico de sua mãe se estabilizasse, ele poderia começar a trabalhar no Grupo Azevedo, com um salário anual de um milhão e quinhentos mil.
No setor de tecnologia, os grandes engenheiros de algoritmos podiam facilmente ultrapassar a marca de um milhão anual.
A diferença de remuneração entre diferentes indústrias sempre fora gritante.
De um lado, um salário milionário fixo; do outro, carta branca para exigir as próprias condições.
Abel não tomou uma decisão de imediato. Virou-se e regressou ao quarto do hospital.
Branca, aliviada por ter sobrevivido, ainda sentia a amargura no peito ao ver o marido e os dois filhos, que não tinham a menor ideia de como cuidar de um doente.
Sempre que se via nessas situações, lembrava-se de Inês, a ex-nora zelosa que sabia cuidar de todos com esmero.
Infelizmente, ela não estava mais lá.
E a culpa pela sua partida era da própria família, que a empurrara para longe.
Nas circunstâncias atuais, a Família Rocha já não tinha condições de pagar uma cuidadora. Precisavam economizar em cada pequeno detalhe para garantir que o dinheiro dos tratamentos não faltasse.
Mariana foi forçada a aprender a cuidar da mãe. Não era por falta de vontade, mas sim por pura falta de habilidade. Nesses momentos, também se lembrava de Inês — aquela cunhada que, mesmo quando o irmão lhe dava uma quantia apertada de apenas três mil por mês, ainda assim tirava dois mil para lhe comprar uma sopa bem feita e nutritiva.
Na Família Rocha, não havia quem não lamentasse a perda de Inês, não havia quem não se arrependesse de tê-la maltratado.
O ser humano só aprende a dar valor quando perde.
Se para as mulheres da casa a dor vinha da falta dos cuidados de Inês, para Geraldo, o arrependimento estava atrelado aos talentos da ex-nora e às conexões com a Família Siqueira. Principalmente após descobrir a verdadeira face de Julieta, o remorso por ter contribuído diretamente para a partida de Inês o devorava por dentro.
Nem se fala de Abel.
Ele nutria sentimentos por Inês. Ainda que todos ao redor achassem o contrário, os dois haviam convivido por anos a fio, e qualquer ser humano criaria laços com tal proximidade.
De todos na Família Rocha, Abel era quem mais sofria.
A traição do primeiro amor e a partida da esposa.
Branca olhou para o rosto do filho, que parecia mais pálido e abatido que o dela, e aconselhou com a voz fraca:
— Vá para casa. Descanse um pouco. O seu pai e a sua irmã ficam aqui.
O coração de Branca apertou-se de pena do filho.
Geraldo também deu um tapinha no ombro dele:

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