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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 861

Vitória Morais entendeu perfeitamente.

— Eu já fui casada antes, por isso o Rodrigo Simões não sabia. — acrescentou Inês Jardim.

Vitória era médica e não julgava nada além da condição física de seus pacientes.

— Ainda assim, gostaria que você me deixasse examiná-la. A diferença de porte físico entre você e o Diretor Simões é muito grande, então fico um pouco preocupada.

Inês agradeceu do fundo do coração.

Aquilo significava que ela aceitava passar por um exame básico.

Após o exame, Vitória constatou que não havia nada grave, apenas um leve inchaço e vermelhidão. Recomendou que evitassem relações íntimas pelos próximos três dias, até porque ela ainda estava doente e o corpo precisava se recuperar.

Ela também ajudou Inês a se vestir.

Inês agradeceu suavemente.

Antes de sair, Vitória perguntou:

— Só mais uma coisa, eu vou descer e relatar sua condição ao Diretor Simões. Em relação ao fato de ter sido a sua primeira vez, como você prefere que eu lide com isso?

— Apenas diga o que diria normalmente.

— Certo.

Vitória desceu as escadas. Rodrigo pediu à Sra. Silveira que levasse a comida para cima, enquanto Alice Simões insistia que também queria ir.

Ele permaneceu ali para ouvir os resultados do exame da Dra. Morais.

— Como ela está?

Vitória olhou para Adrian Soares, que estava sentado.

— O veterano se importaria de nos dar licença por um momento?

Adrian percebeu a deixa e saiu para conversar um pouco com Didi e Mumu.

Com apenas os dois restando na sala, Vitória explicou:

— Diretor Simões, não precisa se preocupar. A Sra. Jardim não sofreu nada grave, mas estão proibidos de ter relações íntimas nos próximos três dias, até que o corpo dela se recupere.

— E os machucados? — perguntou Rodrigo, com a voz tensa.

— Um leve sangramento na primeira vez é uma reação fisiológica normal. Ela só precisa de repouso agora. — explicou Vitória com tom objetivo.

Rodrigo congelou no mesmo instante.

Foi como se algo o tivesse atingido em cheio no peito.

Vitória retirou-se discretamente. Ao cruzar o quintal, viu Adrian acariciando os cachorros, mas com o pensamento distante. Ela se aproximou e o chamou pelo título de veterano.

Aquilo era uma humilhação.

Rodrigo então se lembrou de sua própria brutalidade impensada naquela manhã, dos gemidos contidos de Inês por causa da dor e das lágrimas que escorreram pelo canto de seus olhos.

Ela estava chorando de dor pelo sangramento.

Inês não havia dito uma única palavra, e ele fora incapaz de perceber o menor sinal.

Devia ter doído terrivelmente.

Rodrigo amaldiçoou a si mesmo, chamando-se de animal, e subiu as escadas apressadamente. Na porta do quarto, esbarrou na Sra. Silveira, que apertava um jogo de lençóis cinza nas mãos. Ela o fuzilou com o olhar e, em um gesto raro, não o chamou de patrãozinho.

Pouco antes, quando a Sra. Silveira e Alice levaram a comida, Inês tentou ao máximo cobrir as marcas no pescoço com a gola da blusa, mas elas ainda estavam visíveis. Parecia que ela havia sido atacada por um cachorro.

E a menina ainda estava doente!

— O senhor não tem coração! — murmurou Sra. Silveira, indignada.

— Um verdadeiro animal! — concordou Alice.

As duas não pouparam críticas a Rodrigo.

Inês tentou explicar que tudo havia sido de comum acordo, mas isso só fez com que as duas o xingassem ainda mais. Sentindo-se num misto de graça e desespero, ela não ousou dizer mais nada.

Alice a ajudou a sair da cama para comer, movendo-se com um cuidado extremo, como se Inês fosse uma boneca de porcelana prestes a quebrar em mil pedaços.

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