— Bobagem! — O rosto de Edson ficou vermelho de raiva. Ele olhou feio para Douglas. — Isso é um absurdo absoluto! O que isso tem a ver com tráfico de crianças? E o que isso tem a ver comigo?
Douglas apenas continuou a encará-lo em silêncio.
Sob aquele escrutínio, a confiança de Edson desmoronou e sua postura agressiva murchou:
— Mesmo que tenha havido algo, eu só segui as ordens da própria Família Siqueira! Vocês, lá no topo, não deveriam sempre tentar empurrar a culpa para nós, pessoas comuns.
Douglas franziu a testa.
— O que você quer dizer com isso?
Edson não respondeu. Pegou o neto no colo e afastou-se apressadamente, como se estivesse fugindo de uma assombração.
A mente de Douglas encheu-se de dúvidas.
Seguindo as ordens da Família Siqueira?
Então não foi um acidente?
Tinha sido uma troca deliberada?
Trocar uma criança doente por uma saudável... fazia sentido.
Mas por que a reação de Edson foi tão estranha, e por que ele envolveria a Família Siqueira?
A Família Siqueira nunca trocaria uma criança saudável por uma doente.
Douglas começou a perceber que havia muito mais por trás daquela história de bebês trocados.
Quanto mais pensava, menos fazia sentido.
Era óbvio que não conseguiria falar com Edson novamente naquele dia. Para fazê-lo contar o que sabia, precisaria encontrar um ponto fraco para pressioná-lo.
Douglas fez check-in em um hotel perto da casa de Edson. Ele estava determinado a chegar ao fundo daquilo.
Enquanto isso, assim que Edson chegou em casa, começou a revirar as coisas. Quando a nora perguntou o que estava procurando, ele a mandou calar a boca asperamente. Por fim, encontrou um caderno amarelado escondido no fundo de seu velho guarda-roupa. Nele, havia um número de telefone anotado. Ele rapidamente fez a ligação.
Número inexistente.
Era de se esperar. Tantos anos se passaram, a carreira daquele homem havia decolado rumo ao topo, é claro que já tinha trocado de número há muito tempo para apagar os rastros do passado.
Mas, depois de tanto tempo, como aquela criança os havia encontrado? E como tinha voltado?
— Doente? — Robson se alarmou de verdade. — Ela foi ao médico? Como ela adoeceu?
— Febre alta devido à exaustão. Já viu o médico. O Rodrigo ligou e disse que a febre baixou, mas o corpo dela está fraco e precisa de repouso absoluto.
Ao ouvir o termo repouso absoluto, Robson travou por um momento, para então soltar um longo suspiro de alívio.
— Contanto que a febre tenha baixado. Sim, ela precisa descansar. Precisa de muito repouso.
Xande lançou um olhar profundo para Robson.
— Já que está aqui, não pretende ir vê-la?
Robson queria ir com todas as suas forças, mas balançou a cabeça em negação.
— Enquanto eu não puder dar a ela uma explicação completa e honesta sobre o que aconteceu no passado, eu não tenho a coragem de encará-la.
A Sra. Paz, que estivera calada até então, finalmente se pronunciou:
— É claro que você precisa dar uma explicação completa a ela.
Robson percebia nitidamente que o ressentimento de Thais em relação a ele e a Nara só havia aumentado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...