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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 895

— Robson, como você pode falar assim da Lucinda? A Lucinda é a nossa filha. — protestou Soraia.

Robson corrigiu: — Ela foi a criança que eu trouxe de volta, não é nossa filha biológica. Se ela tivesse se mantido no seu lugar, poderia continuar sendo a filha adotiva da Família Siqueira. Mas ela foi gananciosa demais, Soraia, o coração dela é cruel demais.

Só de pensar em como Lucinda Siqueira, pelas costas, usou outras pessoas para tentar eliminar Inês Jardim, e como ela tramou para se aproveitar do irmão que a ajudou a crescer, ele sentia um calafrio percorrer sua espinha. Era o mesmo calafrio que sentiu ao descobrir que o pai e o próprio irmão mais novo haviam se aliado a estranhos para sabotá-lo.

Soraia, com os olhos vermelhos e a testa franzida, perguntou: — O que você está dizendo?

Robson não pretendia esconder de Soraia as coisas que Lucinda havia feito pelas costas. Mas, quando ele estava prestes a falar, ouviu subitamente uma voz vindo de trás: — Pai, mãe.

Robson virou-se e Soraia ergueu a cabeça, ambos olhando em direção à porta.

Lucinda Siqueira estava ali, parada e em silêncio. Não se sabia há quanto tempo ela estava escutando.

— Pai, você voltou. — Lucinda deu alguns passos para dentro, pegou um lenço calmamente e enxugou as lágrimas do rosto da mãe, virando-se em seguida para Robson. — O estado de saúde da mamãe não tem sido bom ultimamente. Vamos deixá-la descansar primeiro, está bem? Se o pai tiver algo a dizer, pode falar comigo em particular, não precisa provocar a mamãe.

Soraia segurou a mão da filha, com um olhar de pura mágoa nos olhos.

Lucinda deu tapinhas reconfortantes na mão da mãe e disse a Robson: — Pai, espere por mim no escritório, por favor. Vou ajudar a mamãe a subir para descansar.

Dizendo isso, ela amparou a mãe escada acima.

Robson observou a calma com que Lucinda reagiu à situação, além da atenção cuidadosa que ela dispensava à mãe adotiva, e sentiu ainda mais suspeitas.

Ele já não confiava nela.

Tão jovem e já tão habilidosa em fingir.

A intromissão repentina de Lucinda interrompeu a conversa entre Robson e Soraia. Robson sempre foi um homem de classe; criar uma cena caótica com os três confrontando-se ali não era do seu feitio.

Então, ele entrou no escritório e ficou aguardando Lucinda.

Após ajudar a mãe a se deitar no quarto, Lucinda a consolou: — Mamãe, não fique brava com o papai. O papai só quer que a filha biológica dele volte para o seu lado.

Soraia cobriu o rosto molhado de lágrimas. Ela sabia desde o início que aquela garota era um mau presságio.

Diziam que o segundo filho era mais fácil de dar à luz do que o primeiro, mas quando ela teve a segunda filha, quase morreu de dor. E depois de todo o sacrifício para trazê-la ao mundo, ainda por cima não era um menino.

Teria sido tão bom se fosse um filho homem!

...

No escritório.

Robson estava de pé perto da janela, observando o quintal lá fora. Muitas flores já haviam desabrochado no jardim. Ele se lembrava claramente de quando Douglas levava Lucinda para fazer piqueniques de brincadeira ali, e de quando colocaram uma cadeira de balanço no meio do canteiro.

Soraia ficava sentada no meio do balanço, com Douglas à esquerda e Lucinda à direita. Ele ficava atrás, empurrando suavemente, enquanto os três pendiam para trás, recostados e rindo.

Tudo isso já tinha ficado no passado.

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