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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 917

Inês Jardim sentou-se devagar, com o olhar focado nos cabelos de Robson Siqueira. Fios negros misturados aos brancos, parecendo flocos de neve que repousavam lá. Queria poder estender a mão e varrê-los para longe.

— Tome um pouco de água. — Robson Siqueira serviu a água ele próprio, colocou-a à frente de Inês Jardim e depois foi buscar uma vassoura. Colocou de lado o bonsai derrubado e começou a varrer a terra espalhada pelo chão.

Robson Siqueira havia sido servido por outros a vida inteira, da infância à velhice, então varrer o chão era uma tarefa na qual ele se mostrava desajeitado. Mesmo assim, varrendo várias vezes, o chão acabou limpo.

Ao andar, ele ainda mancava.

Inês Jardim apenas observava em silêncio. Não sabia o que dizer, nem sequer tinha vontade de beber a água.

Sentando-se após a arrumação, Robson Siqueira também não sabia o que falar. Já havia respondido à filha que estava bem ali, mas ela ainda não tinha explicado como descobrira aquele lugar.

Por isso, Robson Siqueira perguntou novamente:

— Ao vir para cá, não fizeram nada com você, fizeram? Talvez propor alguma condição ou algo parecido?

Inês Jardim balançou a cabeça:

— Não.

Robson Siqueira esfregou as mãos apoiadas nos joelhos e respondeu:

— Ah.

Inês Jardim estendeu a mão, pegou a água e deu um gole, para logo acrescentar:

— Só quando chegamos ao portão foi que o velho soube.

Robson Siqueira pareceu aturdido; aquilo indicava que ela viera procurá-lo secretamente, e seu coração doeu junto com a ardência que tomou o nariz.

— Você quer mais água? Eu não tenho nenhum suco fresco aqui, só água mesmo — a voz dele deixava escapar certa apreensão e constrangimento.

Inês Jardim respondeu:

— Não quero mais.

— Ah. — A voz de Robson Siqueira pareceu desapontada, e ele tentou mudar de assunto. — Como vocês descobriram este lugar?

Inês Jardim respondeu com sinceridade:

— Foi a Sra. Paz e os outros que encontraram. Foram barrados; disseram que você estava doente, precisava de repouso e não podia ver ninguém de fora.

Ela omitiu a parte em que haviam sido restritos a apenas familiares diretos.

Inês Jardim e Rodrigo Simões já haviam se inteirado de quase tudo sobre os integrantes da Família Siqueira antes de chegarem à Cidade Balma.

Inês Jardim disse:

— O estúdio fotográfico dela não sofreu impacto algum.

— Já imaginava. — Robson Siqueira sabia que o velho pagaria qualquer preço para ocultar o escândalo. Mesmo após vinte e oito anos e sabendo que uma revelação não soaria tão ruim hoje quanto naquela época, o patriarca faria o impossível para proteger a reputação da Família Siqueira.

Nas altas esferas sociais, reputação é tudo; a credibilidade é a moeda de valor inestimável entre os influentes.

Nos picos do poder cultiva-se a imagem, entre os conhecidos reverencia-se a palavra.

— Isso diz respeito à Família Siqueira, não a nós. — Robson Siqueira olhou para Inês Jardim e disse: — Quando você voltou, não mudou de nome, muito menos seu registro de família. Desde que você evite se apresentar como uma pessoa da Família Siqueira, o esforço deles em afirmá-lo apenas os fará perder a classe.

Inês Jardim ouvia com atenção e já intuíra algo além das palavras. Afirmou de forma contida:

— Você vai abandonar a Família Siqueira.

— Sim. — Robson Siqueira não confessou a Inês Jardim que cogitara o rompimento desde o momento em que a trouxera à força sob o falso disfarce de um bebê trocado; porém, a decisão final de cortar todos os laços com a Família Siqueira viera ao descobrir que fora não apenas engando pelo patriarca, como traído pelo próprio irmão, enquanto a esposa, com a qual dividira o leito por mais de trinta anos, caíra na loucura.

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