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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 931

O Patriarca Afonso Siqueira estava agora num dilema.

Se mantivesse Lucinda Siqueira, Inês Jardim levaria a responsabilização até o fim, e isso, em última análise, afetaria a reputação da família Siqueira.

Se não a mantivesse, o escândalo de vinte e oito anos atrás viria a público, e o que seria afetado, no final, ainda seria a reputação da família Siqueira.

Qualquer caminho levaria a esse desfecho.

Entre dois males, escolhe-se o menor.

O Patriarca sabia que não conseguiria convencer Inês, e não valia a pena aborrecê-la por causa de uma Lucinda Siqueira.

Quanto a Lucinda, ele poderia dar um jeito de lhe dar uma boa lição.

Em um instante, o Patriarca já tinha um plano em mente, mas não pretendia revelá-lo agora, para evitar que Inês, uma pessoa da geração mais nova, pensasse que ele era fácil de manipular.

— Eu preciso pensar.

— Fique à vontade, e eu farei o mesmo do meu lado. — Os olhos de Inês brilharam ligeiramente.

Ela também agiria de acordo com o plano.

O Patriarca Afonso Siqueira já era um octogenário, um homem com um pé na cova. Os choques que sofreu neste curto período de seis meses foram maiores do que em toda a sua vida anterior. Era verdade que uma criança não criada no seio da família tendia a priorizar os próprios interesses.

Que fosse.

Afinal, foram Robson e Soraia Siqueira quem falharam com a jovem Inês.

A cerimônia do Dia de Finados já estava quase no fim. O Patriarca pensou que, com as questões de Soraia e Lucinda resolvidas, o assunto finalmente chegaria ao fim. Mas, no momento em que ia suspirar de alívio, o olhar de Inês voltou-se para ele, e, junto com ela, Rodrigo Simões, sua irmã e aquele médico que os acompanhava também o encararam em uníssono.

Eles não o deixariam respirar em paz de jeito nenhum!

Não era à toa que a expressão dele estava tão estranha há pouco, a ponto de ser ríspido com Gabriel.

Os outros também ficaram chocados, mas talvez não tanto. Onde quer que fosse, o que mais havia eram pessoas que sorriam pela frente e esfaqueavam pelas costas. E isso não era diferente na família Siqueira, nem entre irmãos de sangue, maridos e esposas, ou mesmo pais e filhos.

Sônia hesitou, querendo perguntar ao marido por que ele havia impedido o irmão mais velho de procurar a própria filha biológica. Ela acabou não perguntando, mas o seu olhar entregava claramente a dúvida.

— O que uma mulher como você entende? O fato de a cunhada ter abandonado a criança foi visto por outros. Se a acusação de abandono fosse confirmada, como eu, o irmão mais novo dele, passaria na Sindicância de Antecedentes? — Guilherme, vendo que a situação havia chegado a esse ponto, repreendeu Sônia com seriedade.

— Mas... mas... — Sônia franziu a testa.

— O prazo de prescrição para o crime de abandono é de cinco anos. Cinco anos! Onde eu estaria na minha carreira? Nem sequer tinha me estabilizado ainda. — Guilherme lançou um olhar frio para Inês, e depois olhou novamente para Sônia.

— Inês, você não pode me culpar por isso. Se for para culpar alguém, culpe sua mãe biológica impiedosa, que teve coragem de abandonar a própria filha. Já não bastava ela prejudicar o meu irmão, queria me arrastar para a ruína junto com ele!

— Cada ação tem um responsável! Se você tinha problemas com ela, por que foi descontar numa criança? — Alice Simões não conseguiu conter a raiva e se adiantou para rebatê-lo.

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