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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 943

No hospital.

Inês entrou no quarto de Soraia Siqueira. Parando a alguns metros de distância, disse friamente três palavras:

— Você me chamou.

Soraia ergueu a cabeça devagar e, finalmente, olhou diretamente para Inês.

Ela encarou a filha biológica à sua frente, que já havia crescido e se tornado uma jovem mulher alta e esbelta. Sua atitude distante e fria tornava difícil associá-la à imagem daquele bebê que chorava sem parar nas suas lembranças.

No entanto, os traços faciais semelhantes aos de Robson Siqueira, e o teste de DNA impossível de falsificar, provavam que aquela pessoa diante de seus olhos era a criança que ela havia descartado com as próprias mãos no passado.

Aquela criança, que caminhou passo a passo do mato à beira da estrada até os seus pais biológicos, tinha um olhar tão gélido quanto a neve de vinte e oito anos atrás, claramente vindo cobrar uma dívida.

Soraia sentia vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. Chamou pelo nome de Inês:

— Inês, você sabe que a sua existência é um desastre para mim? Era há vinte e oito anos, e continua sendo vinte e oito anos depois.

— Mãe! — As pupilas de Douglas tremeram. Ele não esperava que, àquela altura, a mãe não apenas não demonstrasse nenhum remorso para com Inês, como ainda proferisse palavras que cortavam como facas.

O rosto de Rodrigo, que por natureza já era severo, estava agora escuro e fechado, como a superfície do mar antes de um tsunami: parecia calmo por cima, mas agitava-se furiosamente por baixo.

Inês ergueu a mão e tocou nas costas da mão de Rodrigo, acalmando levemente a sua raiva.

— O seu desastre não foi causado por mim, mas o meu desastre foi de fato causado por você — disse Inês, olhando fixamente para Soraia. — Você está tentando distorcer os conceitos para afastar a sua crise de consciência?

O rosto de Soraia paralisou:

— A situação de agora não foi causada por você? Robson quer se divorciar de mim, permite que o nosso filho entre no mundo dos negócios e ainda expulsou a Lucinda. Douglas não quis participar da seleção, recusou o casamento arranjado e não reconhece a própria irmã. Esta família está caindo aos pedaços!

Quanto mais histérica Soraia ficava, mais calma Inês se mantinha:

— A culpa é sua. Quem planta o mal, colhe o mal.

— Eu só abandonei você! — esbravejou Soraia. — Mas você me fez perder tudo de uma vez!

Inês assentiu:

— É, bem feito.

Mas ela não tinha tempo para consolar um marmanjo de trinta anos.

Caminhou em direção a Soraia e a encarou de cima a baixo, analisando aquela mãe biológica que atribuía todos os seus erros aos outros.

— Você diz que apenas me abandonou. Bom, eu apenas contei essa história.

— Você diz que o meu pai quer se divorciar de você, que o Douglas quer ser empresário e não se casar por conveniência, que um expulsou a Lucinda e o outro não a reconhece, e que tudo isso é culpa minha?

— E não é? — Soraia a fuzilou com os olhos.

— Claro que não.

— Ela foi expulsa da família porque instigou outra pessoa a cometer um crime. Se for presa, a reputação da família Siqueira será arruinada.

— Impossível! — Soraia rebateu com todas as forças. — Ela tem a saúde frágil e é tão obediente, jamais faria uma coisa dessas! Você fala em assassinato, mas ela tentou assassinar quem?!

— A mim — disse Inês, olhando-a com frieza. — A pessoa que ela instigou foi a Julieta Lima, e a pessoa que ela tentou matar fui eu. A Lucinda soube da nossa relação muito antes de vocês me reconhecerem. Ela fez dois testes de DNA escondida, um na Cidade Balma e outro na Cidade Alvorecer, e nos dois ela usou amostras suas.

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