No hospital.
Inês entrou no quarto de Soraia Siqueira. Parando a alguns metros de distância, disse friamente três palavras:
— Você me chamou.
Soraia ergueu a cabeça devagar e, finalmente, olhou diretamente para Inês.
Ela encarou a filha biológica à sua frente, que já havia crescido e se tornado uma jovem mulher alta e esbelta. Sua atitude distante e fria tornava difícil associá-la à imagem daquele bebê que chorava sem parar nas suas lembranças.
No entanto, os traços faciais semelhantes aos de Robson Siqueira, e o teste de DNA impossível de falsificar, provavam que aquela pessoa diante de seus olhos era a criança que ela havia descartado com as próprias mãos no passado.
Aquela criança, que caminhou passo a passo do mato à beira da estrada até os seus pais biológicos, tinha um olhar tão gélido quanto a neve de vinte e oito anos atrás, claramente vindo cobrar uma dívida.
Soraia sentia vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. Chamou pelo nome de Inês:
— Inês, você sabe que a sua existência é um desastre para mim? Era há vinte e oito anos, e continua sendo vinte e oito anos depois.
— Mãe! — As pupilas de Douglas tremeram. Ele não esperava que, àquela altura, a mãe não apenas não demonstrasse nenhum remorso para com Inês, como ainda proferisse palavras que cortavam como facas.
O rosto de Rodrigo, que por natureza já era severo, estava agora escuro e fechado, como a superfície do mar antes de um tsunami: parecia calmo por cima, mas agitava-se furiosamente por baixo.
Inês ergueu a mão e tocou nas costas da mão de Rodrigo, acalmando levemente a sua raiva.
— O seu desastre não foi causado por mim, mas o meu desastre foi de fato causado por você — disse Inês, olhando fixamente para Soraia. — Você está tentando distorcer os conceitos para afastar a sua crise de consciência?
O rosto de Soraia paralisou:
— A situação de agora não foi causada por você? Robson quer se divorciar de mim, permite que o nosso filho entre no mundo dos negócios e ainda expulsou a Lucinda. Douglas não quis participar da seleção, recusou o casamento arranjado e não reconhece a própria irmã. Esta família está caindo aos pedaços!
Quanto mais histérica Soraia ficava, mais calma Inês se mantinha:
— A culpa é sua. Quem planta o mal, colhe o mal.
— Eu só abandonei você! — esbravejou Soraia. — Mas você me fez perder tudo de uma vez!
Inês assentiu:
— É, bem feito.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...