Soraia havia sido colocada na poltrona por Douglas. Após ser atingida repetidas vezes pelas palavras de Inês e de Douglas, ela jogou o peito sobre o braço do sofá. Seus cabelos estavam despenteados, os olhos injetados de sangue e seu rosto adquirira uma expressão que beirava o macabro.
Ela parecia querer dizer alguma coisa, mas nenhum som saía de sua boca, como se um tufo de algodão bloqueasse a sua garganta.
Tantas palavras não podiam ser proferidas e acabavam presas no peito, causando uma pressão que a deixava sem ar.
Ao perceber que não conseguia falar, o terror tomou conta de seus olhos. Ela agarrou os braços de Douglas com todas as forças, e as lágrimas não paravam de escorrer.
O olhar de Soraia era complexo.
Queria rebater dizendo que tudo aquilo era mentira.
Queria saber se o corpo do filho estava realmente bem.
Queria perguntar a Lucinda se todas aquelas atitudes eram verdadeiras!
Raiva, pânico, desespero e dor revezavam-se em seu rosto, como espinhos enfiados em sua carne e em seu coração, transformando até os seus pensamentos numa confusão caótica.
Douglas se levantou e disse:
— Vou chamar um médico.
Não.
Não!
Soraia tentava agarrar Douglas desesperadamente. Ela ainda não tinha coragem de olhar para Inês. Seu corpo começou a tremer; não queria e não ousava ficar no mesmo espaço que a filha.
Embora estivesse profundamente decepcionado com a mãe, Douglas jamais a deixaria desamparada num momento em que perdera a voz. Ele desvencilhou-se das mãos dela e foi chamar o médico.
Restavam apenas três pessoas no quarto.
Apavorada, Soraia tentou usar os cabelos para esconder o rosto e os olhos, tal como fizera no dia em que abandonara o bebê.
Ela não ousou olhar nos olhos da criança, nem permitiu que a criança a visse; por todo o tempo, escondera o próprio rosto com os cabelos.
— Você ainda não tem coragem de me encarar? — perguntou Inês, aproximando-se com uma serenidade fria.
Soraia não emitia som algum, apenas gritava loucamente por dentro. Por fora, encolhia-se no canto da poltrona solitária.
Rodrigo, de soslaio, lançou um último olhar para a mulher na poltrona.
Assim que saíram do quarto, cruzaram com Douglas trazendo um médico. Ao ver que estavam partindo, ele pediu ao médico que entrasse primeiro para examinar a mãe, e parou.
Ele olhou para Inês e perguntou:
— Estão indo?
Inês devolveu o olhar, com a expressão de quem diz: "E o que mais faríamos?"
Douglas achou que tinha razão. O que fariam ficando ali? Contemplar a culpada por ela ter crescido num orfanato e ter passado mais de vinte anos em meio a turbulências?
— Cuidado no caminho — recomendou ele. Deu um passo para o lado, cedendo passagem, e não disse mais nada.
Douglas acompanhou as costas de Inês com o olhar até que ela desaparecesse. Ao entrar no quarto, ouviu o médico dizer que a mãe seria transferida de ala; o lugar dela agora seria a ala psiquiátrica.
O diagnóstico apontava que a perda da voz de sua mãe era um transtorno psicossomático causado pelo estresse de um trauma psicológico intenso.
Ela sofrera de depressão pós-parto há vinte e oito anos e, embora tratada e aparentemente curada, o foco emocional da doença continuara latente. Há dois ou três meses, o diagnóstico já havia evoluído para transtorno bipolar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Pra que um livro tão longo? É muito cansativo. Estou no capítulo 244 só agora ela foi revelada, para mim o livro só teria mais o envolvimento dela com o Rodrigo e acabaria ai, mas não, tem que passar de mil capítulos....
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...