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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 978

Para a surpresa de todos, Afonso Siqueira também compareceu. Com um semblante austero, ele olhava frequentemente para o público; talvez temesse a presença furtiva de repórteres. Quando o julgamento teve início, ele fixou o olhar firmemente em Lucinda, apreensivo de que suas palavras causassem qualquer prejuízo aos interesses da Família Siqueira.

As angústias acabaram por se concretizar.

A primeira acusação que pendia sobre Lucinda tratava da instigação deliberada de terceiros para atentar contra a vida de um pesquisador essencial de nível nacional, configurando tentativa de homicídio qualificado. Obviamente, a razão central de seus atos seria examinada.

Mesmo que os fatos de vinte e oito anos atrás não fossem narrados com riqueza de pormenores, seriam, com toda certeza, abordados.

Quando Afonso ouviu do promotor que a vítima, Inês, era de fato a herdeira da linhagem, abandonada pelas mãos da Família Siqueira há vinte e oito anos, quase desmaiou. Mesmo uma menção passageira era suficiente para deflagrar uma crise incontornável para os interesses da família.

Embora a tentativa de homicídio não houvesse atingido sua consumação — falha decorrente puramente de acasos do destino —, tal desfecho não atenuou a natureza hedionda dos atos de Lucinda, que seria, conforme a lei, rigorosamente punida pela intencionalidade de findar com uma vida.

O segundo delito tratou do período em que figurara como fugitiva, tentando evadir-se da responsabilização criminal, valendo-se dos pais adotivos para coagi-los e transformá-los em reféns. Tal restrição de liberdade, fazendo de entes próximos escudos a favor do próprio benefício, assumiu características extremamente perversas, em total ruptura moral, gerando, em suma, o gravíssimo crime de sequestro e violenta ameaça contra cidadãos.

O terceiro agravante tratou-se da resistência expressa e brutal durante as diligências da captura. Recusando a ordem, resistindo com agressividade policial e prejudicando severamente a execução do serviço legal, somavam ao registro as marcas de infração qualificada por resistência ativa de natureza violenta.

Frente às três provas devastadoras que recaíram sobre ela, Lucinda não conteve os engasgos da garganta contorcida e aceitou a confissão, dada a totalidade implacável das provas materiais; fato sem o qual sequer haveria a instauração inicial dos inquéritos que lhe buscavam o rastro.

Então se sucedeu ao tribunal a apresentação do último fato que selaria a sua derrocada final.

Troca premeditada de fármacos. O abuso violento de entes consanguíneos e as ofensas diretas visando debilitar e corromper os pilares da saúde psicológica de sua mãe adotiva.

Imediatamente, os olhos de Lucinda se agigantaram de consternação, estacando imobilizada pelo longo tempo da revelação.

Tal revelação repousava no impossível, para sua concepção. Em sua ingenuidade prepotente, enxergara-se a coberta num véu macabro de obscuridade e perfeição — chegando a determinar a recolocação dos falsos insumos.

Restituída por breves instantes da cor facial fugidia, ela prorrompeu, desabafando e clamando, rechaçando que aquilo pertencesse a sua responsabilidade.

Porém, no milésimo de segundo em que as provas materiais adentraram as câmaras de observação — representadas na testemunha presencial, Antônia, junto à exibição flagrante de compostos legítimos frente aos falsificados lado a lado no laudo do perito —, Lucinda restou silenciada.

Percorreu a saga desde o subterfúgio de validar uma perícia filiativa para asseverar que Inês trazia em si a essência da Família Siqueira; até tramar, através dos apelos traçados pelas ruínas contra o Sr. Ximenes, que Julieta Lima conduzisse a eliminação final.

Atravessou as atrocidades na perfídia da troca da rotina farmacêutica de sua mãe, Soraia, fugindo acossada para finalmente cometer a heresia vil e corrompida: tornar prisioneiros os genitores adotivos com os quais convivera desde seu começo biológico. Finalizara em choque direto, resistente ao longo dos confrontos finais contra as próprias mãos protetoras da ordem governamental.

As perversões da condenada ostentaram a progressividade do puro escárnio, sempre premeditadas em atitudes despudoradamente obstinadas, sem que remorsos algum despontassem para moderar.

No apagar da sentença, mantendo-se na ribalta, Lucinda Siqueira destilou seu ranço rancoroso final; no negrume incandescente dos globos de seus olhos misturavam-se desbotamentos de um pavor mórbido e as quedas incessantes de um amargor lacrimoso indescritível e copioso.

A maquinação executada pelo derramamento das amizades e ligações protetivas somadas à frontaria beligerante que promoveu sobremaneira com as balizas regulamentares éticas extinguiram permanentemente todo e qualquer sinal ou raio luminoso nos horizontes da etapa terminal de sua via sacra.

A sentença reclusória vitalícia coroava-se pelo ápice sublime da equivalência kármica do seu rancor.

E a contribuição suplementar oriunda do esforço de Rodrigo consubstanciar-se-ia na oferta vital para suportar sua tortura terrena por décadas afora; impossibilitada por natureza, eternamente encubada nos perímetros restritos sem usufruir a pureza cósmica, trancada na clausura dos limites inultrapassáveis.

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