Rodrigo manteve a postura inclinada, com os olhos fixos, e não se moveu por um longo tempo. Um turbilhão de emoções fervorosas e doloridas tomou conta de seu peito; o amor de sua juventude estava lhe presenteando com o amor de sua adolescência.
Dizem que a infinidade do universo é um romance sem fim, mas no fim do universo de Rodrigo estava o anel que Inês havia lhe dado.
Colocar "infinito" e "anel" juntos, aos olhos de um entusiasta da astronomia, era uma forma muito mais concreta de dizer "Eu te amo" do que as próprias três palavras.
Ao ver que ele não se movia, Inês percebeu que ele já tinha visto o anel.
Ela havia fixado o anel com precisão cirúrgica na marca exata de foco infinito no interior do tubo ocular, valendo-se de fios imperceptíveis e transparentes.
Nas horas normais de observação do espaço profundo, o foco se voltaria para as galáxias e o anel estaria fora de alcance e, portanto, seria indetectável.
Mas a partir do momento em que o foco foi fisicamente estancado no limite do espaço cósmico infinito, todo o céu estelar acima perdia o seu contorno, até que o anel, acomodado ali onde todo o foco deveria convergir, virava o único objeto perfeitamente captado pela lente.
Essa ideia Inês encontrara ao pesquisar. Achou-a não apenas discreta, mas também funcional, algo próximo à tecnologia holográfica.
Naquele momento, Inês se lembrou da afirmação de Alice de que, em seu interior, Rodrigo era um "princesinho" que amava o romantismo e decidiu dizer algumas palavras.
— Rô... — Assim que ela abriu a boca, Rodrigo lhe cobriu com as mãos.
Com a expressão muito séria, Rodrigo instruiu:
— Não diga nada.
Inês: "?"
Sob os olhares confusos de todos, Rodrigo foi em direção ao bolo e agachou-se, apalpando algo embaixo da mesa.
Adrian, ao ver a cena, endireitou a postura de imediato, afinal, o anel de noivado estava guardado exatamente ali.
A ideia original de todos era esconder o anel dentro do bolo, mas Daniela Tavares e Esther avisaram que Inês possuía certo grau de fobia por germes, dando enorme importância à limpeza. Sujar o anel no bolo, ou ainda colocá-lo na boca para depois cuspi-lo e pôr no dedo, não parecia muito sensato.
Dessa forma, o grupo concordou que deixar a caixa do anel debaixo da mesa, até o momento do corte do bolo — aproveitando o momento em que Inês fosse pegar a fatia para tirá-lo, fazendo o pedido tradicional —, seria melhor.
— Inês, você gostaria de me escolher para ser seu marido legalmente?
Inês não conseguiu segurar o riso.
Por que pedidos de casamento também tinham que ser no mesmo dia?
Em vez de dar uma resposta direta, ela perguntou:
— Foi por isso que você cobriu a minha boca agora a pouco?
— Foi. — Rodrigo admitiu abertamente. Ele não imaginara que Inês fosse tomar a iniciativa, mas deixar que uma mulher tomasse a dianteira também não era exatamente algo próprio de um homem crescido.
Mas ali a dignidade ficava em segundo plano; tudo o que importava era que ele nunca, em todos aqueles anos, sentiu seu sangue ferver daquela maneira, percorrendo acelerado cada célula de seu corpo.
O fato de Inês pedir a sua mão, deixava óbvio seu anseio por firmar laços no matrimônio; e para alguém que trazia nas costas as cicatrizes de um péssimo casamento anterior, conseguir alcançar aquele nível de firmeza era, acima de tudo, um ato supremo de coragem!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Pra que um livro tão longo? É muito cansativo. Estou no capítulo 244 só agora ela foi revelada, para mim o livro só teria mais o envolvimento dela com o Rodrigo e acabaria ai, mas não, tem que passar de mil capítulos....
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...