Matheus logo apresentou a moça ao seu lado: — Acadêmico Arthur, esta é Helena, a Dra. Helena, integrante do grupo de pesquisa da máquina de litografia da Zenith.
Depois que os dois apertaram as mãos de forma polida, o veterano elogiou: — É impressionante que a Dra. Helena já tenha tantas conquistas em tão tenra idade. Ouvi dizer que a contribuição dela foi a principal. Se não fosse por ela, ia levar mais alguns anos para reescrever a história.
— Que exagero. — Helena deu um sorriso ensaiado. — Foi tudo fruto do esforço da equipe.
— Olhe só, é bonita, competente e ainda humilde. — O veterano fez um joia.
— E a premiação nacional do fim do ano, será que a Dra. Helena foi indicada? — O veterano perguntou, olhando para Arthur Costa. — Acadêmico Arthur, o senhor é o líder do comitê, não pode deixar uma candidata tão excelente passar.
Vendo a situação, Helena sorriu confiante e se ofereceu: — Acadêmico Arthur, espero de coração ter a chance de receber a sua orientação.
Arthur Costa sorriu sem mostrar os dentes e, quando o clima já tinha ficado esquisito, falou sem pressa: — Isso é demais. A Zenith sempre pesquisa por conta própria, se for para ter orientação, sou eu quem deve trazer os alunos para aprenderem aqui.
Foi uma resposta bonita, mas que fez Helena não conseguir esconder o constrangimento, e seu sorriso perdeu a naturalidade.
— O Acadêmico Arthur é humilde. — Matheus ajudou, sorrindo educadamente. — O comitê com certeza tem um processo de triagem bem rigoroso.
Arthur Costa rebateu: — Honras nacionais. Além da parte técnica, o caráter também precisa estar à altura.
A indireta foi evidente demais, e Matheus e Helena pararam no mesmo instante.
Outra pessoa tentou amenizar: — O Acadêmico Arthur sempre tem altos padrões e exige muito. Lembro que, fora aquela garota talentosa, mais ninguém conseguiu conquistar o senhor.
Arthur Costa deu uma risada fria: — A minha aluna tem muito talento, mas escolheu mal. Ela valorizou o que não valia nada e desperdiçou a própria vida à toa.
Assim que falou, ele olhou bem para Matheus —
Embora fosse jovem, Matheus via esse tipo de coisa desde criança, então sabia reconhecer inimizade.
Ele continuou sorrindo e tentou forçar o assunto: — Será que a ilustre aluna do acadêmico veio? Poderíamos nos conhecer e nos ajudar no futuro. A Zenith ainda tem muitos projetos precisando de pessoas assim.
Arthur Costa mexeu os lábios: — Não há necessidade. Pela capacidade dela, a Zenith talvez nem seja o bastante.
E em seguida completou: — Eu tenho amigos ali do outro lado. Peço desculpas a todos, mas preciso ir.
Virou-se e foi embora.

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