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De um Casamento de Mentira ao Altar com um Ricaço: Agora Não Há Perdão romance Capítulo 159

Lívia tinha acabado de levar a xícara de chá à boca. Por sorte não chegou a beber, senão certamente teria cuspido tudo.

— Não é nada demais. — O rapaz colocou a língua para fora. — Eu e meus amigos vivemos brincando assim uns com os outros, mas ele não gostou e ainda mandou eu ficar longe dele.

O robô Zinho foi designado para atendê-los, provavelmente também porque Guilherme não queria lidar com eles.

Lívia pediu dois pratos, o garoto pediu outros dois. Mas assim que os pratos chegaram, ele recebeu uma ligação e precisou sair.

— Meu amigo está jogando basquete com o pessoal da faculdade de esportes. Estão perdendo feio. Tenho que ir salvá-lo! — Disse, e saiu correndo.

Quando ele saiu, Lívia só então percebeu que nem tinha perguntado o nome dele.

Zinho trouxe o primeiro prato, mas o robô não tinha função de servir a comida na mesa, então ainda era preciso um garçom. Só que quem veio foi outro funcionário.

Lívia olhou para o irmão. Ele vestia o uniforme do restaurante e circulava entre as mesas, servindo pratos e chá, além de limpar as mesas.

Em uma das mesas, uma criança esbarrou no bule de chá e se queimou. Os pais, aflitos, começaram a repreender Guilherme, dizendo que ele tinha colocado o bule do lado onde estavam as crianças e que, por isso, a queimadura era culpa dele. Guilherme se apressou em pedir desculpas, mas mesmo assim foi repreendido por um bom tempo.

Esse tipo de coisa parecia comum. Depois de levar a bronca, Guilherme não demonstrou emoção alguma e continuou trabalhando com agilidade.

O coração de Lívia doeu, e ela perdeu completamente o apetite.

Ela era nove anos mais velha que ele. Pouco depois de dar à luz, a mãe começou a trabalhar e deixou o irmão aos cuidados da avó da família Assis, mas a avó já era idosa e se cansava facilmente. Então, depois da escola e de fazer a lição, era ela quem cuidava do irmão, levava-o para brincar, ensinava-o a falar, a andar. Pode-se dizer que o irmão foi criado por ela. Naquela época, os dois tinham uma relação muito próxima.

Foi naquele mesmo ano que, contra a vontade da mãe, ela insistiu em ir para Cidade Y fazer faculdade. A mãe acabou adoecendo de tanta raiva, e o irmão passou a culpá-la, deixando de falar com ela.

Depois disso, ela teve pouco contato com a família, e a relação com o irmão foi se tornando cada vez mais distante.

Quando chegou o quarto prato, como os outros garçons estavam ocupados em outro lugar, foi ele quem veio servir.

— Gui, fiquei muito feliz que você tenha ligado para mim. — Disse Lívia.

— Desta vez eu te incomodei. Obrigado pela ajuda. Não vai acontecer de novo. — Guilherme apertou os lábios.

Ao sair do restaurante, Lívia levou o robô consigo. Ela ofereceu um preço justo e, com a concordância de Guilherme, o dono acabou vendendo para ela.

Antes de voltar para casa, ela passou na casa do velho barbudo para tomar o remédio.

À noite, assim que Lívia se deitou, a campainha tocou. Ela foi abrir a porta e encontrou Alexandre. Ele exalava cheiro de álcool. Ao vê-la, seus olhos ficaram vermelhos de repente, e ele a puxou para dentro de casa.

— O que aconteceu com você?

Já dentro, ela foi pegar um copo de água para ele, mas foi pressionada contra a parede. Ele segurou a cintura dela, a respiração pesada e acelerada.

— Alguém colocou alguma coisa na minha bebida.

— Hã?

— Me ajuda. — Ele se aproximou ainda mais, o hálito quente batendo no rosto dela.

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