Olívia tinha acabado de entrar quando ouviu a voz familiar no telefone. Ela abaixou os olhos sem surpresa e fingiu que havia acabado de chegar, sem ouvir nada, perguntando em voz baixa: — Stella não acordou?
Ao ouvir a voz de Bianca, Ramires sentiu que seu corpo exausto recebia energia. Os cantos de sua boca se ergueram involuntariamente, mas assim que o nome "Bianca" chegou aos seus lábios, ele foi interrompido pelas palavras de Olívia.
O sorriso de Ramires congelou, e os cantos dos lábios que haviam subido ficaram parados de um jeito estranho, exibindo uma expressão desconfortável e bizarra.
Olívia apareceu muito de repente. Ramires não teve tempo de dar uma explicação a quem estava no telefone nem de desligar. Ao ouvir a voz, ele se virou instintivamente: — N-não, não acordou.
A tela do celular ainda estava acesa, indicando claramente que a chamada estava em andamento.
Olívia continuou fingindo que não viu. Ela se aproximou, abaixando propositalmente a voz, mas de forma a garantir que pudesse atravessar o microfone do celular e chegar à pessoa da chamada.
— Parece que a comida na casa do vovô e da vovó estava tão boa que hoje ela está dormindo mais pesado. Você subiu segurando ela o caminho todo e ela nem deu sinal de acordar.
Quanto mais ela se aproximava, mais Ramires instintivamente escondia o celular atrás das costas. Por estar tenso e desajeitado, ele nem percebeu que esse movimento atraía ainda mais suspeitas.
E por isso, não percebeu que Olívia nem olhou para os pequenos movimentos óbvios que ele fazia.
— Sim.
Ramires respondeu vagamente: — Stella está num sono pesado, não vou dar banho nela esta noite. Vou pegar água quente e uma toalha para limpar as mãos e o rosto dela. Amanhã quando ela acordar a gente vê.
— Tudo bem.
Olívia se colocou diante de Ramires. Ela estava muito satisfeita com a atitude dele e feliz que, depois de tanto tempo, ele finalmente cuidaria de Stella de novo pessoalmente.
— Se Stella soubesse que foi o papai que limpou as mãos e o rosto dela, ela ficaria muito feliz.
Olívia olhou de lado para Stella deitada na cama e falou suavemente, com gentileza: — Se você tivesse feito isso antes, talvez ela já tivesse perdoado você.

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