— Não.
Bianca respondeu sorrindo, e mesmo sabendo que Ramires não podia ver, balançou a cabeça: — Você sabe, nós combinamos, então eu não iria dormir antes de você me contatar.
Claro que Ramires sabia, e seu coração ficou ainda mais cheio de culpa: — Desculpe.
— Eu não gosto de ouvir essa palavra.
Bianca o interrompeu antes que ele continuasse com os pedidos de desculpas, fingindo estar irritada: — Além disso, você sabe que não é isso que eu quero ouvir, por que continua repetindo?
— Entendido.
Ramires riu levemente e concordou: — Se você não gosta de ouvir, não vou dizer mais.
Bianca ficou satisfeita.
Ramires ainda não havia pensado em como dizer a Bianca que não conseguiria ir vê-la essa noite. Num instante, os dois mergulharam em silêncio. Apenas o som da água corrente ressoava nos ouvidos deles.
Bianca esperou ele falar, mas como ele continuou em silêncio, a premonição ruim em seu coração se intensificou.
— Ramires.
Ela não queria ouvir aquelas palavras saírem da boca de Ramires, então decidiu tomar a iniciativa de perguntar: — Você ainda vem essa noite?
E, assim como previu, logo após a pergunta, o silêncio no lado de Ramires ficou ainda mais denso.
Com a premonição confirmada, Bianca não teve coragem de dizer mais nada.
— Bianca, me desculpe.
Depois de um longo momento, Ramires finalmente falou.
Bianca se sentiu triste e decepcionada, mas continuou segurando a emoção e não demonstrou nada. Ela mordeu os lábios, esforçando-se para resistir, mas se esqueceu de que o próprio silêncio da contenção também era uma forma de comunicar algo.
Naturalmente, Ramires notou isso. Ele se sentiu mal e queria confortá-la, mas percebeu que todas as palavras eram tão pálidas. Parecia que, não importava o que ele dissesse, seria impossível apaziguar a dor causada pela quebra da promessa com Bianca.
— É por causa de Stella?

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