Ramires beijou Bianca novamente e jurou a si mesmo que não deixaria Bianca esperar mais.
O flat onde Bianca morava e a casa deles ficavam em direções opostas.
Mesmo sem trânsito à noite, quando Ramires dirigiu para casa, já passava das dez.
Stella já tinha dormido há muito tempo.
Ao subir, Ramires foi primeiro ao quarto de Stella. Com a mão na maçaneta, estava prestes a abrir, mas pensou que o frio em seu corpo poderia acordar a criança e soltou a mão silenciosamente.
Ele caminhou até o quarto.
Olívia já tinha se arrumado e assistia a vídeos em um tablet, sentada no sofá.
Ao ouvir a porta abrir, ela ergueu a cabeça e olhou.
Apenas a luminária de cabeceira ao lado de Olívia estava ligada no quarto. A luz era muito fraca, e nenhum dos dois conseguia ver o rosto um do outro com clareza.
Ramires sentiu, no entanto, que de Olívia, banhada na luz fria, emanava uma forte intenção assassina.
Na penumbra, seus olhares se encontraram. O olhar indiferente de Olívia parecia uma rajada de vento gélido vindo por debaixo da porta, soprando no rosto de Ramires.
O coração de Ramires deu um salto. Como alguém que fez algo errado, instintivamente tensionou o corpo.
Mas não era de se estranhar.
Afinal, ele tinha prometido pessoalmente a Stella que voltaria antes dela dormir e quebrou a promessa, era normal que Olívia tivesse queixas.
Ramires organizou a lógica em sua mente, repassou o que ia dizer, empurrou a porta e entrou.
— Descu...
As desculpas mal saíram e Ramires viu Olívia desviar o olhar, abaixar a cabeça e continuar vendo o vídeo.
Ela estava assistindo a vídeos jurídicos, e, ao prestar atenção, Ramires ouviu que falavam de casos de divórcio.

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