Que tipo de garotas elas são?
Valéria não ousava olhar.
Mas ela foi forçada a ver.
Rostos infantis.
Fisionomias jovens.
Botões de flores delicados.
— Não...
— Não é isso!
Valéria negou imediatamente:
— Elas são todas filhas bastardas do papai, não são?
— Winter, sua foto deve estar aí também!
— Além disso, papai disse que as fotos da vovó e dos outros também estavam aqui.
— Estas são memórias preciosas do papai, ele deve ter escondido os casos amorosos aqui...
Valéria parou bruscamente, atordoada.
Ela realmente encontrou fotos de Winter.
Na parede mais à esquerda, um terço era coberto por fotos de Winter.
Winter também se aproximou e arrancou uma foto da parede.
Era de quando ela tinha treze anos.
Ela tinha ganhado fama em uma competição e fora procurada por Yasmin, que a aceitou secretamente como aprendiz.
Naquela época, ela ia ao estúdio de Yasmin toda semana sob o pretexto de ter aulas de reforço para aprender pintura.
Às vezes, ela também ia à pequena casa de Yasmin e Simão.
Winter tinha um rosto de flor, delicada como um botão recém-nascido. Muitas vezes ela pintava por horas, debruçada sobre o cavalete, esquecendo-se de tudo.
Ela nem se lembrava das situações retratadas naquelas fotos.
Mas ela podia garantir que, na época, não percebeu nada!
Portanto, todas aquelas fotos foram tiradas escondidas!
E não apenas isso, os ângulos das fotos eram perturbadores.
A ponta do nariz de Winter suada.
As têmporas molhadas.
O peito ainda em desenvolvimento, muito tímido e pouco aparente.
Às vezes, no estúdio pessoal de Yasmin, achando que estava sozinha, ela tirava o casaco por causa do calor, ficando apenas de alcinha.
O jeito como ela sorria.
O jeito como franzia a testa.
O jeito como apoiava o queixo, distraída.
Cada foto era bonita, mas todas transmitiam uma sensação muito estranha e extremamente desconfortável.
Winter logo percebeu o que era aquela sensação.
Era o olhar masculino lascivo.
Ela fora observada secretamente por Simão, que capturou aquelas imagens com um olhar que definitivamente não era inocente.
Não era preciso ser especialista, qualquer pessoa normal perceberia a anomalia.
Valéria abriu a boca e deixou escapar:
— Naquela época, papai com certeza já tinha descoberto sua identidade!
— Ele deve ter descoberto que você era filha dele, por isso tirou essas fotos que parecem íntimas e em close!
Winter amassou a foto na mão, transformando-a em uma bola de papel.
Ela virou a cabeça para Valéria e perguntou:
— O seu pai tiraria fotos assim de você?

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