Dona Florinda mal se continha, queria voar no pescoço de Celestina e rasgá-la em pedaços com as próprias mãos.
Ela lamentava amargamente não ter sido cautelosa o suficiente quando o incidente começou e, de forma prepotente, ainda ter tentado encobrir as ações delas.
Quem aquela inútil pensava que era?
Ela não passava de um nada!
Só agora Dona Florinda entendia que havia sido arrastada por aquela desgraçada; o seu arrependimento era tão profundo que beirava a agonia física.
As outras também explodiram em repreensões furiosas:
— Celestina, não acredito que foi você!
— Por que você nos prejudicou assim? O que te fizemos de tão mal?
Algumas ficaram tão exasperadas que começaram a chorar copiosamente.
Afinal, elas não perderam apenas os seus empregos na Família Souza, mas também destruíram todas as suas vidas e os seus futuros.
Elas tinham passado por inúmeras e exaustivas rodadas de seleção para conseguir entrar para trabalhar na Família Souza!
Contudo, no fim das contas, todas haviam esquecido o seu lugar. Cegas por ilusões fúteis, passaram a achar que as suas próprias posições eram indispensáveis.
Quando o esquema fora exposto no dia anterior, elas nem sequer tinham notado a gravidade da situação; com pura indiferença, atreveram-se a ofender a Senhora mais uma vez.
Foi somente após o pesadelo da noite anterior que compreenderam as proporções do desastre, e então o terror tomou conta de todas.
E pelo resto das suas vidas, nenhuma delas ousaria relembrar a tortura daquele quarto escuro: as luzes fortes mirando nos seus olhos, a incapacidade de dormir ou sentar, forçadas a ficar em pé e de olhos abertos. Uma agonia em que a vida parecia um castigo pior que a própria morte.
Naquele momento, todas nutriam um ódio profundo e visceral por Celestina.
Se não fosse pela presença imponente de Winter e dos outros mestres, elas provavelmente já a estariam linchando ali mesmo.
E, independentemente de a Família Souza perdoá-las dessa vez, nenhuma daquelas mulheres jamais encontraria uma oportunidade sequer em toda a Cidade Alma.
Como não odiá-la com todas as forças?
Winter também ansiava desesperadamente por respostas.
— Por que fez isso?
— Quem a instruiu a fazer uma coisa dessas!?
— Como você se atreveu!? Um recém-nascido com menos de cem dias, e você foi capaz de uma maldade tão cruel?
— Sra. Celestina, você achou que nunca descobriríamos a verdade, ou simplesmente pensou que, mesmo se descobrissemos, não haveria nada que pudéssemos fazer contra você!?
Com a mão pesada, Winter bateu com violência no braço do sofá. Ao sentir a fúria da mãe, Ivan começou a chorar num soluço forte.
Ao perceber que o choro do filho soava mais vigoroso do que no dia anterior, um alívio tomou o coração de Winter.
Graças a Deus, a condição de Ivan parecia estar realmente melhorando.
Ela levantou o olhar para Jaques, que a retribuiu abaixando a cabeça para encará-la.
Um suspiro coletivo de alívio inundou o coração de ambos.
Mas essa pequena melhora só tornava os atos desprezíveis de Celestina ainda mais asquerosos!
O filho deles tinha sido vítima de suas mãos perversas!
Celestina não tinha coragem sequer de levantar a cabeça.
Tremendo descontroladamente, ela afundou o rosto no chão, incapaz de encarar quem quer que fosse.
— Não... eu não sabia... juro que não sabia...
— Ele disse que era inofensivo... que eu só precisava misturar um pouquinho de pó no leite dos jovens mestres todos os dias, e que os corpos deles começariam a mostrar um sintoma sutil.
— E me garantiu que o pediatra residente jamais conseguiria diagnosticar o problema, e então, preocupados, o senhor e a senhora recorreriam à medicina tradicional.
— Foi assim que planejaram... e então a sua família entraria em cena...
— E se a família dele subisse de posição, a minha vida também mudaria. Com nós dois tornando-nos grandes aliados da família dele, finalmente poderíamos nos casar...
— É tudo culpa minha. Fui tola e iludida pelas falsas promessas, o erro foi todo meu...
— Uuuuh...
— Mas eu tinha experimentado primeiro o remédio... por dias a fio e eu não senti dor ou desconforto algum! Caso contrário, jamais me arriscaria a fazer algo assim... — Interrompendo-se em meio às lágrimas, Celestina começou a dar fortes bofetadas em seu próprio rosto.
— Senhor, senhora, eu cometi um erro horrível.
— Um erro imperdoável...
— Suplico, por favor, perdoem-me! Poupem a minha vida, eu imploro...
Ao ouvir tudo aquilo, Winter ficou em completo estado de choque.
Jamais poderia imaginar que a verdadeira razão fosse algo tão absurdo!
— Você não tem cérebro!?
— Você é uma mulher adulta! E você acha mesmo que a quantidade que o seu corpo aguenta se compara com a fragilidade de Ivan!?
— Você obedece cegamente tudo que ele manda! Se ele ordenasse que você assassinasse alguém com veneno, você o faria também!?
Tomada por uma raiva avassaladora, Winter levantou-se num salto e começou a andar em círculos no mesmo lugar, abraçando Ivan apertado contra o peito.
O que ela mais queria naquele instante era desferir dois fortes tapas no rosto daquela miserável da Celestina.

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