Vânia Ferreira não sabia a placa de todos os carros que entravam e saíam da vila residencial, mas sempre tinha uma boa noção.
Como professora e responsável pelas turmas de último ano, ela tinha pavor de ver os alunos se envolvendo com pessoas mal-intencionadas de fora.
Então, quando bateu os olhos naquele carro de luxo encostado no escuro, com uma placa de figurão, ela logo desconfiou.
Ela foi tirar satisfação. Mas quando o vidro abaixou, o choque foi imenso.
Era Leonardo Soares.
O desgraçado que, três anos atrás, tinha destruído a vida de sua filha de forma tão cruel.
O rosto de Vânia congelou de ódio:
— O que você está fazendo aqui? Veio visitar sua velha professora ou está procurando a Nanda?
Leonardo havia sido seu aluno brilhante. Hoje, era a pessoa que ela mais repudiava.
— Professora Vânia... — Leonardo tentou abrir a porta do carro, mas foi sumariamente impedido pela mulher.
— Não me interessa quem você veio procurar ou o que você quer. Eu só exijo uma coisa. — a voz dela soava impiedosa. — Nunca mais. Nunca mais ouse aparecer na frente da Nanda.
...
Fernanda chegou ao seu apartamento alugado. Demorou um tempo sentada no escuro antes de finalmente acender a luz.
Era um apartamento simples, de pouco mais de vinte metros quadrados. O aluguel custava três mil e seiscentos, engolindo quase metade do seu salário atual.
Mas aquele espaço era o seu porto seguro.
O ambiente estava limpo, cada coisa milimetricamente em seu lugar.
Fernanda tirou os sapatos e caminhou direto para a cama.
Parou por um segundo, mergulhada em pensamentos. Depois, puxou uma caixa de papelão escondida embaixo da cama.
A caixa estava coberta por várias camadas de fita adesiva amarela. Fitas que já haviam sido coladas, cortadas e coladas de novo, inúmeras vezes.
Fernanda ficou encarando o papelão.
Sua mente virou um caos de flashes. De um lado, a imagem de Leonardo e Serena lado a lado, formando uma família perfeita e doce com a criança.
De outro, a cena patética dela mesma no país E, jogando sua dignidade no lixo, rastejando para que Leonardo não terminasse tudo.
Lembrou-se também dos dias escondida atrás da cortina da cama no dormitório da faculdade.
Mordendo a própria mão para não gritar de tanto chorar, mandando dezenas de mensagens para Leonardo, perguntando por quê.
E recebendo apenas aquele ponto de exclamação vermelho, indicando que havia sido bloqueada. Um aviso que a feria até sangrar os olhos.


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