Augusto logo me alcançou e, com a voz grave, disse:
— Você mal consegue suportar a dor de ajoelhar em alguns degraus, mas foi você quem causou a morte da Alice. Ela se jogou do décimo sexto andar. Imagina o quanto ela sofreu?
Eu parei imediatamente e levantei os olhos para encará-lo. A luz da lua iluminava o rosto de Augusto, já naturalmente frio, tornando-o ainda mais impiedoso.
A dor que vinha dos meus joelhos se misturava com a angústia no meu peito, uma combinação sufocante que parecia me prender em uma rede apertada, impedindo qualquer respiro.
Augusto, sem esperar pela minha reação, virou-se e continuou andando, ignorando completamente minha presença.
Quando voltamos ao quarto, o médico estava trocando suas bandagens. Assim que retirou as gazes, viu manchas de sangue rosado e franziu as sobrancelhas imediatamente.
— Como é que o ponto da sutura abriu assim? — Perguntou ele, com um tom sério.
Eu, encostada na parede, observava o ferimento que parecia ter se aberto. Minha mente foi direto para a cena do dia anterior, quando Augusto tentou se limpar sozinho.
Provavelmente, ele havia forçado o corte ao alcançar as costas com o braço.
O médico tratou o ferimento novamente e, antes de sair, dirigiu-se a mim com um tom firme:
— A senhora precisa cuidar bem do paciente. Se isso se repetir, o ferimento pode infeccionar.
Augusto estava sentado na beira da cama, com o rosto sombrio. Provavelmente, ele estava pensando em Alice. Eu conseguia sentir o peso do descontentamento e da raiva que ele direcionava a mim.
Fui até o banheiro, enchi uma bacia com água morna e voltei para ajudá-lo a se limpar. Desabotoei sua camisa e comecei a passar a toalha em sua pele com movimentos automáticos, como se estivesse lavando algo sem vida.
Quando meus dedos tocaram sua pele quente, eu reduzi a força instintivamente. Mesmo assim, ele tensionou as costas de repente, como se tivesse levado um choque.
Embora o rosto dele continuasse imóvel, como se estivesse coberto por uma camada de gelo, o pomo de adão se moveu levemente. E, por mais que ele tentasse disfarçar, a fina calça de pijama revelou algo que começava a se erguer.
Fingi que não vi nada. Terminei de limpá-lo, coloquei a toalha de volta na bacia e me virei para sair.
— Débora.
A voz dele, inesperadamente baixa, carregava uma dor contida e algo indefinível que não consegui identificar.
— Com que direito você me odeia?
Eu parei, mas não me virei.
— Eu só vim porque não confio em quem está cozinhando para você! Prefiro que você coma algo preparado pela nossa família.
Ela então soltou uma risada sarcástica, quase como um deboche, e acrescentou:
— Afinal, ela já matou a Alice. O que é mais uma vida para quem já tem sangue nas mãos?
Eu nem olhei para ela. Peguei meu celular, virei-me para Augusto e disse:
— O almoço está pronto. Não se esqueça de transferir os dez milhões para a minha conta.
Se ele comeria ou não, pouco me importava. O que interessava era que o meu pagamento estava garantido.
O rosto de Augusto endureceu, mas, ainda assim, ele pegou o celular e fez a transferência.
Fabiana ficou boquiaberta.
— O quê? Dez milhões? Augusto, você perdeu a cabeça? O que essa mulher fez que vale tudo isso?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Queremos próximo capítulo...
Gostei bastante, mais poderia logo dar uma estagnada na vida de Débora, queremos ela e Thiago felizes...
Queremos divórcio, Débora com Thiago, augusto com mônica na cadeira , Cláudio com Alice...
Queria entender porque Débora não fica logo com Thiago, tá forçando muito, melhor acabar deixando gostinho de quero mais, do quer prolongar e perder o sentindo....
A história é boa mas podia resumir ela e tirar muita coisa que tá aí só pra encher... acho que já deu hr de acabar....
Nem percam seu tempo com essa história! Como de já não bastasse toda a crueldade que ela passa nas mãos de todo mundo, aparece um cara que deveria ser o novo interesse amoroso, deveria cuidar dela, ajudar ela a sair dessa situação etc, mas ele é tão ruim quanto! Ela literalmente descreve crises de ansiedade toda vez que tá perto desse homem! O cara é frio, quando ela pede ajuda ele trata ela igual lixo, quando ela NÃO pede ajuda ele trata ela igual lixo, ele não diz que gosta dela e depois fica com raiva por que ela tá confusa sobre as ações dele... Isso pq ele é um homem mais velho e a história tenta fazer parecer que ele é maduro, tá? E infelizmente, aparentemente ela vai ficar com esse homem ruim... Tô fora dessa leitura tenebrosa...
Já não dá mais vontade de ler ,a Débora só se ferra o Augusto e a Mônica e a mãe dele só prejudica ela ....cansativo essa história...
O livro já perdeu a coerência. Primeiro o irmão da Débora ia apresentar a Mônica para a família. Depois a narrativa mostra que foi um acordo entre ele e Débora para se aproximar de Augusto e roubar informações e que já eram namorados há muito tempo. E como ela não saberia que Débora era irmã dele. E assim acabou não indo se apresentar à família. Fora a história de Alice que é sem pé e nem cabeça....
Acho desnecessário colocar essa gravidez do nada eles não se separam logo, Débora não tem um pingo de paz isso que tem 600 capítulos acho que na tentativa de deixar o livro maior tá indo só ladeira á baixo...
Caraca acho que a autora se perdeu, não consegue avançar......