Era como um instinto primal, aquele que faz os animais reconhecerem seus próprios filhotes.
Eu me aproximei devagar, com passos silenciosos, enquanto meu olhar se perdia no rosto de Laís. Eu a observava com uma intensidade voraz, como se pudesse compensar, em um instante, todos os anos que estive ausente.
Quando Laís me viu chegar, ela desligou o celular e, cheia de orgulho, disse:
— Meu pai concordou! E eu não contei nada sobre a alergia! Eu cumpri minha promessa, não cumpri?
— Cumpriu sim. — Minha voz saiu embargada. Eu me abaixei, estendi a mão e acariciei suavemente seus cachos macios. — Você é uma menina muito obediente.
Laís ficou um pouco confusa. Ela não entendia exatamente o que estava acontecendo, mas, como toda criança, percebeu que havia algo diferente. Seus olhos brilhantes me encararam com curiosidade enquanto ela perguntava:
— O que foi? Por que você está assim?
— Não é nada. — Respondi, forçando um sorriso. — Eu só estava pensando em fazer um bolo bem grande pra você no seu aniversário. Mas... Eu não sei quando é o seu aniversário. Você me conta?
Laís abriu um sorriso enorme, animada com a ideia.
— Sério? Você vai fazer um bolo pra mim? Meu aniversário é 12 de dezembro! Falta só um pouquinho mais de um mês!
A data caiu sobre mim como um balde de água fria.
Eu dei à luz a minha filha no dia 8 de dezembro.
Seria possível que Augusto tivesse inventado uma data de aniversário diferente para disfarçar? Ele já havia entregado minha filha para outra mulher criar. Que diferença faria para ele mudar também o dia em que ela nasceu?
Mesmo com essa discrepância, eu não tinha dúvidas. Laís era minha filha.
Meu olhar permanecia fixo nela, e, antes que eu percebesse, minha mão começou a se mover novamente, querendo tocar sua bochecha macia. Mas fui interrompida pelo toque de seu relógio infantil.
Eu rapidamente retirei a mão. Laís olhou para o visor e viu que era Mônica quem estava ligando. O sorriso dela voltou instantaneamente, e ela atendeu com entusiasmo:
— Mamãe! Você não estava trabalhando?
Aquela palavra “mamãe” tão clara e cheia de afeto, foi como uma faca invisível perfurando meu peito.
Laís colocou o celular no ouvido e começou a falar com uma voz manhosa:
— Se você gosta, eu aprendo a fazer.
— Obrigada, tia!
Aquele “tia” me fez voltar à realidade, como um balde de água fria.
Nesse momento, meu celular começou a tocar. Quando vi o nome de Augusto na tela, um ódio profundo tomou conta de mim. Era tão forte que, por um instante, tive vontade de esmagar o aparelho.
Respirei fundo, engoli minha raiva e atendi com a voz mais calma que consegui:
— O que foi?
— Onde você está? — Ele perguntou, direto.
— Estou na rua. Por quê?
— Às cinco e meia, vá buscar Laís e leve-a pra cá. Ela disse que quer que você a ensine a fazer bolo. Já pedi para a Ana levar os ingredientes pra hospital.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...