Eu achava que o resultado do teste de DNA sairia em um dia. Até fiquei impressionada com a eficiência do Hospital Central de Cidade H.
Mas, em vez disso, veio do outro lado da linha a voz educada de um funcionário, que soava quase indiferente:
— Desculpe, mas a amostra de sangue que a senhora enviou ontem foi encaminhada de maneira informal, fora do protocolo. Embora o Dr. Matias tenha dado instruções específicas, um estagiário, durante a troca de turno, confundiu a amostra biológica da criança com material descartável e acabou descartando-a.
— Descartaram a amostra como lixo? — Minha mão começou a tremer, e o celular quase caiu. — É assim que vocês trabalham? Isso é uma negligência!
— Pedimos desculpas. — Respondeu ele, mantendo a calma. — A amostra de sangue da senhora ainda está disponível. Se a senhora quiser prosseguir com o teste, basta providenciar uma nova amostra da criança.
Eu desliguei o celular e olhei para a porta do quarto, trancada, enquanto um frio percorria minhas mãos. Quando Laís ainda estava no Jardim das Borboletas, da família Nunes, conseguir uma amostra de sangue dela era relativamente fácil.
Mas agora, com Augusto decidido a transferi-la para outra escola, seria quase impossível encontrá-la, quanto mais conseguir uma nova amostra.
Enquanto eu tentava pensar em uma solução, senti uma mãozinha puxar levemente a barra da minha roupa.
— Laís?
Eu guardei o celular rapidamente e encarei a menina, sentindo uma mistura de emoções difíceis de descrever.
Laís, com a voz baixa e hesitante, disse:
— Desculpa… Eu não queria te entregar. Mas foi a minha mãe que mandou investigarem na escola. Eu… Eu não consigo mentir pra ela.
Eu olhei para o rostinho arrependido dela e senti meu coração derreter. Ajoelhei-me para ficar à sua altura e falei com suavidade:
— Não tem problema, querida. Eu não estou brava com você. Crianças… Precisam ser honestas, sempre.
Mas, enquanto dizia isso, minha mente ainda estava presa à ligação do centro de DNA. De repente, me ocorreu que, embora fosse difícil conseguir outra amostra de sangue, o cabelo também poderia ser usado para o teste.
Aproveitando o momento, arrumei os fios de cabelo que caíam sobre sua testa e perguntei casualmente:
— Que trança linda você está usando hoje. Quem fez pra você?
Enquanto falava, meus dedos discretamente envolveram uma mecha de cabelo. Ainda faltava um segundo para puxá-la quando uma voz ecoou pelo corredor.
— Laís!
Eu recuei a mão rapidamente. Faltou tão pouco para conseguir o que eu precisava.
Mônica surgiu caminhando apressada pelo corredor. Ela puxou Laís para seus braços e lançou um olhar severo para mim.
A notícia da transferência de Laís chegou rapidamente aos ouvidos de Natália, junto com a notificação de que Augusto havia enviado uma intimação judicial contra o Jardim das Borboletas.
No dia seguinte, Natália me chamou para conversar.
Eu me senti culpada e pedi desculpas a ela, mas Natália apenas balançou a cabeça e respondeu:
— Isso não tem nada a ver com você. Fui eu que cometi o erro de deixar a Laís comer o bolinho com pó de abacaxi. Se é para culpar alguém, a única culpada sou eu. Mas, se quer saber, o verdadeiro problema foi você ter escolhido aquele psicopata como marido.
Eu não contive uma risada amarga.
— E o que você vai fazer em relação ao processo que Augusto moveu contra o Jardim das Borboletas?
Natália suspirou, mas manteve a calma.
— Olha, nós realmente erramos em deixar a filha dele ter uma reação alérgica. Mas, no final das contas, não aconteceu nada grave. Ela não morreu, nem ficou com sequelas. Se ele quiser nos processar, que processe. No máximo, vamos pagar uma indenização e seguir em frente.
Eu me senti um pouco mais tranquila com a resposta dela. Então, contei sobre a ligação que recebi do centro de DNA e o fato de que haviam perdido a amostra de sangue de Laís.
— O quê? — Natália esbravejou, claramente indignada. — Isso só pode ser armação! Alguém está mexendo os pauzinhos por trás!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Eu paguei pra le mais e nao foi liberado...
Poderia ser mais rápido e lançar mais capítulos por dia...
Quando vai lançar capítulos novos?...
Aí cara toda hora uma reviravolta mirabolante. Pelo amor de Deus, isso já deixou de ser um romance ou drama, parece que a autora só quer prender o leitor para lucrar em cima. Parece que toda a cidade odeia a Débora e só meia dúzia de gato pingado gosta da menina de verdade....
É só o meu ou o de vcs também estão faltando algumas falas ?...
Poxa 3 folhas por dia a autora solta 😔 Quem lê 3 folhas de um livro por dia?...
Autora libera esse divorcio logo, mete um litigioso ai, ta chato pra caramba essa briga de divorcio. Tudo vira empecilho entre Debora e Thiago, quando a autora consegue evoluir a relação dos dois, ela recua dois passos para trás....
Eu só espero o dia que Débora e Tiago finalmente ficarão juntos....
Qual é autora, dê um minuto de paz para a Débora, não é possível que um ser humano possa sofrer tanto assim... Não invente o arrependimento de Augusto para ele e Débora ficarem juntos no final, ele não merece, depois de tudo que fez, não merece mesmo!...
Cada reviravolta ferrando com a vida da Débora, sofro um mini infarto. Será que em algum momento o Augusto vai acordar, entender e aceitar que ele está errado? E quando ele vai enxergar quem de fato é a Mônica? Não dá pra entender se ele de fato a ama, ou a amou ou se ele é apenas um doente que acha que pode pegar tudo que quer. Outra coisa, motivo dele ter forjado a morte da própria filha, tirando da mãe e entregando a outra mulher nao teve nenhuma explicação pra isso... Se alguém entendeu me explique... Pq eu não entendi!...