As pupilas de Augusto se contraíram subitamente, como se ele tivesse sido atingido por um raio. Ele ficou paralisado no lugar, e aquele rosto que antes carregava tanta fúria perdeu toda a cor, como se rachaduras finas se espalhassem por sua expressão.
Eu também jamais poderia imaginar que hoje Augusto me traria aqui e me obrigaria a jurar, usando a maldição sobre nosso próprio filho, que eu não tinha culpa pela morte de Alice.
E, por ironia do destino, justo neste momento, acabamos cruzando com o respeitado padre Osvaldo.
Depois que Osvaldo mencionou o meu aborto, um silêncio mortal tomou conta da igreja. Eu conseguia ouvir até mesmo o som pesado da respiração de Augusto.
Olhei para o altar à minha frente e curvei os lábios num sorriso cheio de amargura:
— Augusto, você quer que eu jure pela vida do nosso primeiro filho morto, ou prefere que seja pelo segundo? Diga o que quer. Se for para salvar a família Lins, eu farei exatamente como você deseja!
O corpo dele estremeceu visivelmente. Os lábios dele se moveram levemente, mas nenhuma palavra saiu.
Osvaldo suspirou profundamente ao lado, e seu olhar pousou sobre Augusto, carregado de pesar:
— Augusto, eu te conheço há anos. Vi você servir a Deus de forma tão devota, e pensei que já tivesse compreendido o verdadeiro significado de “amor e perdão”. Mas agora, ao ouvir você dizer essas coisas para sua própria esposa, usando até mesmo a memória de seus filhos mortos como juramento diante de Deus, percebo que você foi longe demais. Isso é cruel, Augusto.
Osvaldo fez uma pausa, sua voz se tornando ainda mais grave:
— A fé nos ensina que todos nós somos responsáveis por nossas ações perante Deus. Os pecados e as feridas que você planta hoje… Como espera colher perdão ou paz no futuro?
Augusto permaneceu em silêncio. Ele apenas virou-se lentamente e começou a caminhar em direção à saída da igreja, como se estivesse fugindo de algo.
Eu agradeci ao padre Osvaldo, com um leve aceno de cabeça, e fui atrás de Augusto. Afinal, só ele podia decidir se iria ou não poupar a família Lins.
Quando chegamos aos degraus de pedra na entrada da igreja, Augusto parou de repente.
Os olhos dele se moveram lentamente, examinando cada pedra cinza e desgastada dos degraus.
Mas o sangue vermelho-vivo que escorrera por ali naquele dia de tempestade, ele nunca mais veria.
— Você nem mesmo consegue ouvir o que aconteceu, né? — Minha voz saiu trêmula. — Mas tudo isso… Tudo isso eu vivi naquele dia. Eu me ajoelhei nesses degraus e continuei pensando, repetidamente: que tipo de ódio existe entre nós para você me fazer passar por isso?
Ele ficou imóvel, como se tivesse sido congelado no tempo. A expressão fria e severa de seu rosto estava agora coberta por traços de dor, como rachaduras profundas que se espalhavam lentamente.
Sem dizer mais nada, comecei a descer a montanha. Cada passo que eu dava parecia pisar novamente no sangue daquele pequeno ser que havia me deixado.
Não demorou muito para que Augusto me alcançasse. Ele agarrou minha mão de repente, e os olhos dele estavam fixos nos meus, cheios de algo que parecia ser uma decisão final.
— Débora, nós… Podemos tentar de novo. Vamos fazer tudo certo desta vez. Vamos viver bem, juntos, por favor.
Eu o encarei, com uma calma que parecia ter vindo de todas as cicatrizes que ele mesmo tinha deixado em mim.
— Augusto, algumas feridas apodrecem tão fundo dentro do coração que nunca cicatrizam. Você realmente acha que ainda podemos viver bem juntos?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...