O celular vibrava sem parar. Aproveitei que minha mãe ainda estava chorando ao meu lado, distraída, e, sem fazer alarde, coloquei o celular na bolsa e ignorei a ligação.
A imagem de Thiago, com a testa levemente franzida enquanto olhava para mim no escritório, ainda estava fresca na minha memória.
Ele nem sequer havia dito algo duro. Ainda assim, o desprezo evidente em seu olhar me deixou clara uma coisa: eu não tinha mais cara, nem direito, de continuar pedindo sua ajuda.
Afinal, entre nós dois havia um abismo impossível de atravessar. Mesmo que ele me ajudasse, seria algo unilateral. E eu? O que eu poderia oferecer em troca?
Deixei o celular vibrar dentro da bolsa, sem atender.
Provavelmente, Thiago só havia ligado por educação. Ou, quem sabe, por consideração a Davi e Lorena.
Quando não atendi, ele também não insistiu. Não houve uma segunda chamada.
O celular ficou em silêncio. No carro, restava apenas o som abafado do choro de Maria, que parecia encher ainda mais o ambiente com um peso sufocante.
Suspirei levemente, com a voz carregada de cansaço:
— Mãe, vou te levar para casa primeiro. Sobre o Jacarias, eu vou pensar em alguma coisa.
Enquanto dirigia, as palavras de Maria no início da conversa voltaram à minha mente. Sem me desviar do assunto, falei, palavra por palavra:
— O que a família Lins fez por mim, eu nunca esqueci. Eu… Nunca seria ingrata.
Maria ficou visivelmente desconfortável, mas tentou justificar:
— Débora, eu… Não era isso que eu queria dizer. Você não precisa levar para o lado pessoal.
Eu não respondi. Apenas pisei no acelerador e continuei dirigindo.
…
Na casa da família Lins.
Assim que entrei acompanhando Maria, meus passos pararam na sala de estar.
Augusto estava sentado no sofá, vestindo um elegante sobretudo cáqui. Seu olhar frio e reservado pousou sobre nós, sem pressa.
Era difícil acreditar que aquele homem, com sua postura tão educada e tranquila, era o mesmo que, no mundo dos negócios, já havia destruído famílias inteiras para alcançar seus objetivos.
A raiva subiu dentro de mim, queimando como fogo. Olhei para ele com ódio:
Eu não queria que a dignidade da minha família fosse completamente destruída na frente dele. Precisava tirá-los daquela cena humilhante.
Sérgio hesitou, mas acabou assentindo. Ele levou Maria para o andar de cima, deixando apenas Augusto e eu na sala.
Quando ficamos sozinhos, olhei para ele. A raiva que eu havia controlado começou a subir novamente, misturada com uma sensação de impotência sufocante. Minha voz saiu carregada de sarcasmo e mágoa:
— Augusto, você conseguiu. Colocou meu irmão na prisão, humilhou os meus pais, e agora está aqui para me ver implorar por misericórdia. Não era isso que você queria? Parabéns. Você venceu.
Augusto franziu as sobrancelhas profundamente. Seus olhos negros estavam cheios de emoções que eu não conseguia entender. Ele falou em um tom grave:
— Débora, é isso que você pensa de mim? Acha que fui eu quem mandou alguém bater no seu irmão?
Eu não respondi.
No fim, isso fazia alguma diferença? Não era ele a razão de tudo isso?
Meu silêncio pareceu irritá-lo. Ele engoliu em seco, como se estivesse tentando controlar algum tipo de frustração, e sua voz saiu ainda mais firme:
— Acabei de saber pelo seu pai que seu irmão foi espancado. Débora, não fui eu quem fez isso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...