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Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle romance Capítulo 387

— Não precisa se preocupar comigo! — Laís respondeu, com a cabeça enterrada no travesseiro e a voz embargada pelo choro.

Eu resolvi provocá-la, seguindo o tom dela:

— Ah, é? Já que não precisa de mim, então por que você ainda está aqui na minha casa?

Aquela frase fez Laís ficar em silêncio na mesma hora. Ela levantou a cabeça de repente, os olhos vermelhos de tanto chorar, e me encarou com raiva. Mas, mesmo assim, não conseguiu encontrar uma resposta.

Aquela menina era a cópia exata do Augusto: mandona, teimosa e cheia de manha. Quanto mais você cedia, mais ela queria. Por isso, decidi que não iria tratá-la com tanto mimo.

— Se não fosse pela Rafaela, que te convidou para vir, você ainda estaria sozinha lá em Brisa do Mar, sem ninguém para te fazer companhia. — Olhei fixamente para ela e continuei. — Se você continuar achando que a bondade dos outros é sua por direito, vai chegar o dia em que ninguém mais vai querer ser bom com você. Pense bem nisso.

Depois de dizer isso, virei as costas e saí do quarto, sem tentar consolá-la. Fui direto para o escritório, liguei o computador e comecei a escrever meu livro.

Mais tarde, já passava das dez da noite quando ouvi a porta do escritório se abrir devagar, só uma frestinha. Laís apareceu com a cabeça enfiada na porta, sem jeito, e perguntou baixinho, com a voz quase inaudível:

— A Rafaela… Ela ainda não voltou?

Eu continuei digitando, sem tirar os olhos da tela, e respondi de propósito:

— Ela foi embora por sua causa!

Laís abaixou a cabeça, parecendo ainda mais culpada. Depois de um momento de hesitação, ela murmurou:

— Eu… Eu peço desculpas pra ela amanhã, tá bom?

Só então parei de digitar, me virei para ela e disse:

— É claro que vai pedir desculpas. Amanhã, quando encontrar com ela na escola, fale isso diretamente pra ela. Agora já está tarde, vá tomar banho e dormir.

Laís me olhou como se não acreditasse no que eu tinha dito:

— Você quer que eu tome banho sozinha?

Eu franzi a testa e a lembrei:

— Da última vez que te ajudei a tomar banho, você jogou sabonete no chão de propósito e me fez escorregar. E ainda gritou comigo!

Ela imediatamente se lembrou do que tinha feito. Parecia envergonhada, mexendo na barra da camiseta com os dedos. Com a voz fraquinha, respondeu:

— Eu… Eu prometo que nunca mais vou fazer isso.

Eu não deixei barato e continuei:

— Você já tem quatro anos, Laís. Já passou da hora de aprender a se vestir sozinha, não acha?

Ela, no entanto, fez uma careta e rebateu:

Antes que ela entrasse no banheiro, eu a lembrei:

— Não se esqueça de agradecer à Rafaela amanhã. E de pedir desculpas.

— Tá bom! — Respondeu Laís, com a voz abafada e cheia de má vontade. Mas, dessa vez, ela não retrucou.

Depois que ela terminou o banho, tentei colocá-la no quarto de hóspedes onde a Rafaela costumava dormir. No entanto, Laís fez um beicinho e disse:

— Eu não quero dormir sozinha! Tenho medo do escuro! Antes, minha mãe sempre dormia comigo…

No meio da frase, Laís pareceu perceber que tinha falado demais. Ela olhou para mim, sem jeito, e corrigiu rapidamente:

— O que eu queria dizer é… Você pode dormir comigo hoje?

O olhar dela estava tão doce e vulnerável que eu não consegui dizer não.

— Tudo bem. Mas vá pra cama primeiro. Eu ainda preciso terminar meu trabalho. Vou deitar mais tarde.

Ela assentiu com a cabeça e foi para o meu quarto, obediente.

Fiquei no escritório até tarde escrevendo, e só fui para o quarto de madrugada. Quando entrei, Laís já estava dormindo. O cobertor tinha sido chutado para o canto da cama, e o rostinho dela estava vermelho e quente, como se tivesse passado o dia brincando ao sol.

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