Augusto deixou que ela batesse nele sem reagir. O rosto dele continuou impassível. Ele apenas virou a cabeça na direção do segurança que estava na porta e ordenou, com frieza:
— Leva a minha mãe pra capela. Ela precisa esfriar a cabeça.
— O quê… O que você quer dizer com isso?
O choro de Fabiana parou na hora. Ela encarou o filho, sem acreditar no que tinha ouvido.
Logo em seguida, dois seguranças de terno preto entraram na cozinha. Eles falaram num tom neutro, profissional:
— Senhora, por aqui, por favor.
— Augusto! Você tem coragem de fazer isso comigo? Eu sou sua mãe! — Fabiana estava furiosa e apavorada ao mesmo tempo, e a voz dela saiu trêmula.
O olhar de Augusto pousou nela, carregado de uma sombra quase imperceptível:
— Se você não quiser ir pra capela rezar, volta pro seu quarto e fica lá quieta. Não me provoca mais. Eu e a Débora só chegamos nesse ponto porque você ajudou — e muito.
Aquela frase caiu em cima de Fabiana como um balde de água gelada, apagando na mesma hora todo o fogo da raiva.
Quando ela encarou os olhos frios do filho, ela sentiu um medo súbito. Ela percebeu que o Augusto de agora realmente não tinha mais freio com ninguém.
Com Débora, ele se dobrava, cedia, até se metia a fazer bolo. Mas com o resto do mundo, inclusive com ela, mãe dele, ele estava mais duro e mais frio do que nunca.
Fabiana abriu a boca, mas não teve coragem de responder nada. Ela só conseguiu lançar um olhar cheio de ódio pra Augusto e, sem alternativa, virou as costas e foi se arrastando corredor adentro, passo a passo, de volta para o quarto.
A cozinha voltou a ficar em silêncio.
Augusto abaixou os olhos para os ingredientes sobre a bancada. Os dedos dele passaram devagar pela borda gelada da tigela. Ele sabia que um único bolo estava longe de ser o suficiente, mas, enquanto existisse a menor chance de fazer Débora olhar pra trás, ele não ia desistir.
…
A luz da cozinha ficou acesa a noite inteira.
Sobre a bancada de inox, se acumulavam várias massas de bolo que tinham dado errado: algumas tinham murchado e deformado, outras tinham passado do ponto e queimado.
O suor escorria na lateral da testa de Augusto. A farinha branca manchava a camisa escura dele, deixando ele com um ar desajeitado que jamais aparecia nas fotos de negócios.
De repente, ele lembrou que, antes, toda vez que Débora inventava uma sobremesa nova, ela tirava foto na mesma hora e mandava pra ele, junto com um áudio cheio de empolgação contando qual receita diferente ela tinha testado.
Naquela época, ele chegava a pensar que só uma mulher muito sem graça teria tempo sobrando pra se ocupar com essas coisas “de enfeite”.
Agora, ele entendia. Ela fazia isso porque amava ele. Porque, pra ela, qualquer coisa que fosse por ele se transformava, automaticamente, em algo sério, que merecia cuidado.
Exatamente como ele estava fazendo agora.
Augusto pegou o celular e tirou várias fotos do bolo, de ângulos diferentes. A sensação de conquista que ele sentiu superou, com folga, a de fechar um contrato de milhões.
Por reflexo, ele abriu o WhatsApp, pronto pra mandar as fotos pra Débora. Mas o dedo dele parou no meio do caminho, em cima da tela.
O contato dele já aparecia bloqueado há muito tempo na conta dela.
Um sorriso amargo passou rápido pela boca dele. Então, ele fechou o aplicativo e abriu o Instagram.
Desde o último escândalo nas redes, a área de comentários do perfil dele vivia lotada de xingamentos, todos os dias.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...
Jura, que acabou desta forma? A mãe da Débora sumida continuou e ela nem perguntou kkkkk...
Uai, cadê o resto? A mãe da Débora não vai acordar? E o Cláudio e Alice? Oque vai acontecer com o Augusto? E a Bruno? Lorenzo? E a Mônica? Vai mostrar como ela ficou depois? Débora não vai dizer pra Alice que a mãe delas está viva ? Eu quero maaaaaais!!! ...
mas e a mãe da débora?! que o corpo sumiu?...
Finalmente um final feliz pro Thiago e pra Débora, que agoniante foi ler cada processo de sofrimento e distância dos dois pqp...