Eu obriguei a mim mesma a engolir o turbilhão de emoções e desci as escadas.
Na sala de jantar, Dona Joana estava sentada na cabeceira, com a testa levemente franzida. Assim que ela me viu entrar, ela trocou a expressão por um sorriso acolhedor:
— Débora, você acordou. Vem, senta aqui. Eu pedi pra fazer uma vitamina de frutas com aveia pra você. Você precisa comer direitinho, recuperar as forças.
Eu agradeci em voz baixa.
Assim que eu me sentei, Dona Joana não conseguiu segurar o comentário, com um desagrado nítido na voz:
— Isso é coisa do outro mundo… O que o Augusto resolveu aprontar hoje? Logo cedo, enchendo o Instagram com aquelas fotos… Tá na cara que ele tá fazendo cena pra plateia.
A mão com que eu segurava o garfo parou no ar. Por dentro, eu estava completamente perdida.
Naquele dia, nem eu mesma tinha pensado em comemorar aniversário. Como é que Augusto, de todas as pessoas, ia lembrar de “compensar” o meu aniversário?
Do outro lado da mesa, Thiago não respondeu. Ele só deixou o olhar escorregar discretamente na direção de Laís.
A menina abaixou a cabeça de repente e passou a remexer o cereal com leite dentro da tigela. As orelhas dela ficaram vermelhas, e o jeito dela de evitar o olhar de todo mundo praticamente gritava: “fui eu que contei”.
Dona Joana não percebeu essa troca rápida entre os dois. Ela se virou, pegou atrás de si uma caixinha quadrada de madeira, antiga, com flores entalhadas na tampa, o tipo de coisa que claramente tinha história.
Ela colocou a caixa na minha frente e falou, com uma doçura calma:
— Débora, você passou por coisa demais ultimamente. Eu não tenho muito como te ajudar, mas eu espero que isso aqui te proteja um pouco. Eu quero que, daqui pra frente, você fique bem, e que você consiga sorrir mais.
Eu agradeci às pressas e peguei a caixa com as duas mãos.
Quando eu abri, até a minha respiração travou.
Sobre o veludo, repousava um pingente de esmeralda. O corte era limpo, preciso, as bordas estavam polidas com um capricho fino, e a pedra brilhava sob a luz, com um verde profundo e sereno. A cor era intensa como um lago parado, silencioso e hipnótico. De tão bonito, parecia irreal.
— Vó, isso é caro demais. Eu não posso aceitar. — Eu disse, empurrando a caixinha de volta, aflita.
— À noite você descobre.
Eu apertei o pingente frio entre os dedos, com o peito dividido entre um conforto inesperado e um nervosismo bobo.
Quando eu vi as horas, levei um susto. Eu tinha uma entrevista importante marcada naquela manhã. Eu comecei a apressar as meninas pra terminarem o café, porque eu precisava levá-las pra escola.
Thiago entrou na conversa na mesma hora:
— Vai pro trabalho tranquila. Eu levo as duas.
Como já estava em cima da hora, eu não fiz cerimônia. Eu peguei a bolsa e saí de casa quase correndo.
Quando eu cheguei perto da porta da empresa, eu vi, sem acreditar, o carrão preto do Augusto parado bem em frente.
Augusto estava de pé ao lado do carro, impecável num terno escuro, completamente deslocado no meio dos funcionários que passavam apressados para bater ponto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...