Já era de noite e eu tinha apagado a luz havia pouco quando o celular em cima da mesa de cabeceira tocou de repente.
Eu tateei no escuro até pegar o celular e atendi a ligação.
— Alô, é a Sra. Moretti? — A voz da enfermeira veio com aquela calma profissional, mas fez o meu sono sumir na hora. — O Augusto acabou de dar entrada com hemorragia gástrica e precisa de cirurgia de emergência. A situação está um pouco grave, a senhora precisa vir agora para o setor de emergência do Hospital Central assinar o termo de autorização!
O meu coração afundou. Na mesma hora, me perguntei se aquilo não passava de mais um plano do Augusto.
Talvez para me encurralar, encenar um drama na minha frente, me forçar a ceder.
Eu empurrei de volta a onda de emoções que ameaçou subir e respondi, fria:
— Eu vou passar o número da mãe dele pra você. Você liga pra ela.
— Eu já liguei, mas ninguém atendeu. — A enfermeira insistiu, ansiosa. — No momento, a única pessoa que nós conseguimos localizar foi a senhora. A senhora é cônjuge dele, parente de primeiro grau. A cirurgia não pode esperar mais. Por favor, venha imediatamente assinar!
A ligação foi interrompida, deixando só o sinal de linha ocupada no meu ouvido. A mão com que eu segurava o celular começou a tremer de leve.
Depois de alguns segundos de indecisão, eu joguei o cobertor pro lado, me levantei, peguei o casaco e saí de casa às pressas.
Mesmo que ele tivesse me machucado, ainda se tratava de vida ou morte. No fim das contas, eu não conseguia simplesmente cruzar os braços e deixá-lo morrer.
No caminho até o Hospital Central, a cidade passava voando pela janela, e a minha cabeça fervilhava.
Não demorou muito para eu chegar ao hospital.
O cheiro forte de desinfetante veio direto no meu rosto. Quando eu entrei no setor de emergência, eu já vi a silhueta do Felipe andando de um lado para o outro na frente da porta do centro cirúrgico, tomado de ansiedade.
Ele me viu na mesma hora e veio correndo na minha direção, como se tivesse acabado de encontrar uma tábua de salvação:
— Sra. Moretti…
Eu lancei um olhar gelado para ele e cortei:
— Me chama de Débora.
A expressão dele travou por um segundo. Depois, ele abaixou a cabeça, sem graça, e se apressou em corrigir:
— Débora, você não sabe de tudo. Augusto tinha viajado esses dias e, nesse meio-tempo, o Cláudio aproveitou uma brecha dentro da empresa. Hoje à noite, o Augusto foi pro Império Privé pra fechar um negócio. Foi lá que ele bebeu demais.
Na mesma hora, minha cabeça puxou as fotos que eu tinha visto na internet dias atrás.
As paisagens que o Augusto tinha postado eram todas de lugares onde nós dois já tínhamos ido juntos.
Uma pontada ácida subiu dentro de mim. Não era exatamente pena, era mais uma sensação de que aquele homem tinha se tornado ao mesmo tempo absurdo e patético.
Por que ele nunca fazia o que tinha que ser feito, na hora em que realmente importava?
Felipe hesitou por um instante, abaixou um pouco a voz e falou, visivelmente constrangido:
— E… Dizem que hoje o Augusto também te viu lá no clube. Ele parece que viu você com o Thiago…
Eu congelei no lugar.
A cena de dentro da sala naquela noite voltou inteira, sem filtro nenhum. Eu, atrapalhada, usando a mão pra aliviar o efeito do remédio no Thiago, e depois ele me prendendo debaixo do corpo dele, atiçando cada pedaço de mim…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...
Jura, que acabou desta forma? A mãe da Débora sumida continuou e ela nem perguntou kkkkk...
Uai, cadê o resto? A mãe da Débora não vai acordar? E o Cláudio e Alice? Oque vai acontecer com o Augusto? E a Bruno? Lorenzo? E a Mônica? Vai mostrar como ela ficou depois? Débora não vai dizer pra Alice que a mãe delas está viva ? Eu quero maaaaaais!!! ...
mas e a mãe da débora?! que o corpo sumiu?...