Ela não desviou dos olhos do Augusto em momento nenhum. A voz dela veio firme, com um corte seco:
— Você acredita no que ela disse? Se você acredita nela, então eu só amei o homem errado, enxerguei a pessoa errada. Aí eu vou embora.
O Augusto apertou a mão dela na mesma hora, com tanta força que parecia querer afundar nos ossos. Ele tinha demorado tanto para encontrar a Alice de novo que ele jamais admitiria perdê‑la outra vez.
Ele virou o rosto na direção da Mônica, que ainda se arrastava no chão. Nos olhos dele não existia nem sombra de pena, só a revolta brutal de quem tinha sido enganado por anos.
O Augusto ignorou completamente o choro e os gritos da Mônica. Ele ergueu a voz em direção à porta, chamando os seguranças:
— Levem a Mônica para a capela. Eu quero ela de joelhos, se arrependendo do que fez.
A mão da Alice, que descansava ao lado do corpo, se fechou devagar. Um brilho escuro, rápido e profundo, passou pelo olhar dela.
Só ajoelhar e “se arrepender”? Isso era pouco demais. Muito pouco.
Antes que ela pudesse ir mais longe nesses pensamentos, o Augusto puxou‑a para os braços dele, segurando com tanta força que parecia querer fundir os dois num só corpo. Ele repetiu, baixinho, várias vezes, como um homem que tinha saído de um pesadelo:
— Alice, eu não perdi você… Eu não perdi você…
A Alice não tentou se soltar. Ela deixou que ele a abraçasse, mas os olhos dela continuaram límpidos, frios, muito lúcidos.
Ela calculava, em silêncio, como iria fazer para que a Mônica, a Manuela e aquele homem que agora apertava‑a no peito pagassem um preço bem mais alto.
Ninguém sabia quanto tempo tinha passado até o Augusto finalmente afrouxar o abraço. Ele passou a ponta dos dedos pelo rosto dela, enxugando os vestígios de lágrimas, e falou com uma doçura quase improvável para um homem como ele:
— Alice, não vai embora de novo, por favor. Naquela época, eu casei com ela só para ter um filho, porque eu queria compensar em você a dor de não poder ser mãe. Alice, acredita em mim, eu nunca quis enganar você de propósito.
A Alice levantou os olhos, frios e lindos, e encarou‑o de frente, como se pudesse atravessar todas as defesas dele:
— Se hoje eu não tivesse ido até o seu casamento atrás de você, você ia mesmo casar com outra mulher?
As palavras deixaram o Augusto totalmente sem reação.
A Alice de antes era orgulhosa, fria, incapaz de admitir ciúme assim, na cara dura. Naquela época, os dois já tinham passado longos períodos em guerra silenciosa porque nenhum dos dois aceitava recuar.
Agora, ela mesma tinha jogado esse ciúme na mesa. Aquilo só podia significar uma coisa: ela ainda ligava para ele. Muito.
Uma alegria quase infantil subiu no peito do Augusto. Ele segurou a mão dela com força e declarou, com o olhar em chamas:
— Alice, o que aconteceu entre mim e a Débora não dá para resumir em duas frases. Mas, a partir do momento em que você voltou, você é tudo para mim. O resto não importa.
A Alice, no entanto, puxou devagar a própria mão de volta. O olhar dela continuou firme, límpido:
— Só que você ainda é marido dela. E eu não vou ser a outra. Isso, você nem precisa sonhar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...