Aquele brilho no olhar da Alice vacilou por um instante antes de ela perguntar:
— Me conta… Que condições ela colocou?
O Augusto puxou o ar fundo e repetiu, uma por uma, as exigências da Débora.
Quando ele terminou, o rosto dele já estava pesado:
— Isso só pode ter sido ideia do Thiago. A Débora nunca foi tão difícil de lidar. Agora, do nada, ela inventa uma armação baixa desse nível.
A Alice perguntou:
— Então, na prática, o que você está dizendo é que não vai aceitar. E o divórcio vai ficar empacado desse jeito?
O Augusto franziu o cenho. Ele não confirmou, mas também não negou.
A Alice puxou discretamente o canto dos lábios, num quase sorriso sem graça:
— Eu estou um pouco cansada. Eu vou subir pro quarto.
O Augusto acompanhou a silhueta dela se afastando e sentiu o peito apertar.
Ele sabia que a Alice tinha ficado chateada. Mas a Alice sempre tinha sido assim: orgulhosa, resistente, incapaz de admitir que tinha ficado com ciúme ou magoada.
As têmporas do Augusto latejavam. Ele tinha acreditado que, a partir do momento em que aceitasse o divórcio, todo o processo ia caminhar sem sobressaltos.
Ele não tinha previsto que a Débora fosse virar o jogo daquela maneira, deixando-o numa sinuca de bico.
Depois de pensar e repensar, ele acabou ligando de novo para a Débora:
— Sobre o divórcio litigioso, eu topo. Mas quanto a soltar aquela nota pública na internet… Não tem mesmo espaço pra negociar? Débora, eu já estou sendo massacrado pelos comentários, você faz questão de jogar mais lenha na fogueira justo agora?
Do outro lado, a voz da Débora veio gelada:
— Você está preocupado com o que os internautas pensam de você desde quando? Quem foi mesmo que vivia dizendo que não dava a mínima pros comentários daqueles “guerreiros de teclado”?
O Augusto respirou fundo:
— Quanto a você e à sua esposa, você resolve no seu ritmo.
A mão do Augusto apertou o garfo com força. Ele franziu a testa:
— Procurar apartamento pra quê? Ficar aqui não está ótimo? Você tem empregados pra te atender em tudo, a casa é tranquila, segura. Se você preferir, hoje mesmo eu peço pro Felipe me mandar a lista completa dos meus imóveis. Coberturas no centro, casas em condomínio… Você escolhe o que quiser.
— Enquanto você não se divorciar, eu não vou continuar me colocando numa situação tão constrangedora. — A Alice falou sílaba por sílaba, com uma firmeza irredutível. — Eu não quero saber qual é a história entre você e a sua esposa, se é ela que não quer soltar ou se é você que tem alguma dificuldade que não pode contar. Nada disso diz respeito a mim.
A luz da manhã desenhava um contorno suave no rosto dela, realçando a frieza da expressão.
O rosto do Augusto escureceu. Ele fez um esforço visível para manter a calma:
— Alice, me dá mais um pouco de tempo. Por favor.
A Alice respondeu:
— Você pode levar o tempo que precisar. Mas eu não vou ficar morando na sua casa enquanto isso. Quando você estiver divorciado, aí sim a gente senta e conversa sobre nós dois.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...