A tensão que dominava a sala de estar parecia prestes a explodir.
Sérgio mantinha o rosto fechado, os olhos escurecidos pela exaustão e pela raiva contida, encarando o maço de documentos que Augusto havia atirado sobre a mesa de centro.
Toda a atenção dos quatro estava presa àquele contrato. Ninguém percebeu minha presença parada na entrada da sala.
— Sérgio… — Augusto falou devagar, num tom controlado. — Eu soube que o Grupo Lins está praticamente à beira da falência. Eu posso injetar capital na empresa. Mas existe uma condição: quero que Jacarias assuma oficialmente a presidência do Grupo Lins. Todo o poder de decisão da empresa vai passar para ele.
Sérgio respondeu sem hesitar, a voz fria como aço:
— Eu admito que a sua proposta é tentadora. Nas condições em que o Grupo Lins se encontra hoje, já é quase inacreditável ainda existir alguém disposto a investir aqui. Mas, infelizmente, Augusto… Eu não posso aceitar isso.
Jacarias perdeu a paciência imediatamente:
— Pai, para de insistir nesse orgulho ridículo e assina logo! O Grupo Lins já está respirando por aparelhos! Apareceu alguém disposto a salvar a empresa e você ainda quer ficar fazendo pose?
Mônica se aconchegou ainda mais ao lado dele, quase se exibindo dentro daquela intimidade forçada, enquanto um sorriso satisfeito surgia no canto dos lábios dela.
O olhar que lançou para Sérgio carregava uma provocação descarada — como se estivesse exibindo um troféu recém-conquistado: o herdeiro da família Lins finalmente preso nas próprias mãos.
Aquela expressão arrogante me despertou uma vontade quase incontrolável de atravessar a sala e dar um tapa na cara dela.
Foi então que Sérgio pegou o contrato de repente e começou a rasgar as folhas uma por uma.
— Essa empresa foi construída com a minha vida inteira! Mesmo que ela afunde, eu nunca vou entregar o Grupo Lins nas mãos de vocês! E muito menos vou deixar a Mônica conseguir tudo o que quer!
Augusto apertou a ponte do nariz, claramente irritado. A expressão dele carregava um desgaste silencioso, como alguém que não queria estar envolvido naquela confusão, mas também não conseguia simplesmente sair dali.
Eu permaneci imóvel na entrada, sentindo a cabeça se encher de perguntas.
Augusto tinha odiado Mônica a ponto de destruir a carreira dela sem qualquer hesitação. Então por que agora ele aparecia justamente ali, disposto a ajudar ela e Jacarias?
Sérgio já estava tão alterado que praticamente apontava a porta de saída para os dois:
— Não existe mais nada pra conversar! Enquanto Jacarias continuar se envolvendo com essa mulher, ele deixa de ser meu filho! Mesmo que a empresa vá à falência, mesmo que eu morra amanhã, ele não vai colocar as mãos em um centavo do que é meu!
Augusto também me encarou. Os olhos dele permaneceram fixos em mim por tempo demais, profundos, carregados de emoções difíceis de decifrar.
Quando Sérgio me viu, parte da dureza estampada no rosto dele finalmente cedeu um pouco.
Eu caminhei até ficar ao lado dele e encarei os três à nossa frente:
— Meu pai e minha mãe me criaram a vida inteira. Agora que a empresa deles entrou em crise, é óbvio que eu não vou simplesmente assistir tudo de longe. Pai, manda o Augusto embora. A gente não precisa da ajuda dele.
Jacarias se exaltou imediatamente:
— Débora, você realmente acha que consegue salvar o Grupo Lins sozinha? E o Thiago? Cadê ele? Por que não apareceu junto com você? Porque até ele sabe que essa empresa virou uma bomba-relógio! Você está tentando bancar a salvadora, mas devia olhar primeiro pro tamanho da própria capacidade!
Augusto então se levantou devagar.
Ele virou o corpo na minha direção e falou num tom baixo, porém firme:
— Débora, eu não estou ajudando o Grupo Lins por causa do Jacarias. Muito menos por causa da Mônica. Estou fazendo isso porque essa sempre foi a empresa dos seus pais. Mesmo depois do nosso divórcio… Você e a família Lins ainda continuam tendo um peso muito grande pra mim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...
Jura, que acabou desta forma? A mãe da Débora sumida continuou e ela nem perguntou kkkkk...
Uai, cadê o resto? A mãe da Débora não vai acordar? E o Cláudio e Alice? Oque vai acontecer com o Augusto? E a Bruno? Lorenzo? E a Mônica? Vai mostrar como ela ficou depois? Débora não vai dizer pra Alice que a mãe delas está viva ? Eu quero maaaaaais!!! ...
mas e a mãe da débora?! que o corpo sumiu?...