Augusto ficou olhando fixamente para ela. No olhar dele havia dor, havia impotência e ainda tinha um traço de frustração difícil de explicar.
Depois de muito tempo em silêncio, ele finalmente falou, devagar:
— Alice, você precisa mesmo ser assim? Você não cansa? Eu só quero que você fique do meu lado sem preocupação nenhuma. Eu quero casar com você, quero uma vida tranquila, só nós dois.
Quando ela ouviu a palavra “casar”, o coração da Alice pareceu ser perfurado por alguma coisa afiada.
Ela quis, com todas as forças, dizer para ele que, no momento em que ele a trancou numa clínica psiquiátrica e subiu ao altar com a Débora, qualquer possibilidade entre os dois tinha morrido ali.
No momento em que ele fechou os olhos para o que a Mônica fez com a mãe dela, no momento em que ele machucou a irmã dela, ele já tinha se tornado o inimigo dela.
Mas ainda não era hora de puxar a rede e mostrar as cartas. Ela precisava entrar oficialmente no núcleo do Grupo Moretti, tocar nos projetos e nos recursos que estavam nas mãos dele. Só quando ele perdesse tudo, absolutamente tudo, ele entenderia o que ela sentia.
Quando Alice percebeu, nas entrelinhas, que Augusto queria que ela largasse a carreira para viver só em função dele, ela suavizou o tom de voz:
— Augusto, você se esqueceu? Você me prometeu que nunca ia me transformar numa dona de casa que vive à sombra de um homem. Eu agora quero muito me firmar de novo no mercado. Você vai me apoiar, não vai?
A luz nos olhos dele foi ficando mais opaca, pouco a pouco. Augusto ficou calado por um bom tempo, depois deu um sorriso cheio de amargura:
— Claro. Eu vou te apoiar.
Depois de alguns segundos de silêncio, ele completou:
— Mas você precisa seguir o que o médico mandou e ficar aqui no hospital, quieta, descansando uns dias. Quanto à empresa, eu estou lá. Ninguém vai ter coragem de falar nada.
Alice fez que sim com a cabeça, devagar, e não discutiu mais.
…
No dia seguinte, a luz da manhã atravessou a cortina do quarto e desenhou manchas claras no chão da enfermaria.
Augusto tinha saído cedo, dividido entre ligações da empresa e cobranças sobre a reunião de segunda-feira. Só aquelas pendências já eram suficientes para ocupar o dia inteiro dele.
Alice apertou levemente os dedos, sentindo a dor latejar na testa, e respondeu, gelada:
— Agora você já viu. Pode ir embora. O atestado eu entrego quando eu tiver alta. O trabalho não vai ficar atrasado.
O sorriso que estava no rosto do Cláudio desapareceu na hora. Ele deu um passo à frente e segurou o pulso dela com força, puxando-a e fazendo-a se virar bruscamente.
Ele encarou a faixa na testa dela, e a raiva cresceu nos olhos dele, quente, explícita.
— O Augusto bateu em você, não bateu? — Ele perguntou, entre os dentes. — Fala a verdade. Foi ele que fez isso?
Alice ficou sem reação por um instante. O peito dela doeu, mas junto com a dor veio um calor discreto, inesperado.
Ele estava preocupado com ela. De verdade.
Mas, no segundo seguinte, ela se lembrou de todas as notícias recentes sobre ele, cercado de atrizes, modelos, nomes sempre diferentes. Os escândalos só não tinham explodido como os do Augusto porque ele era solteiro, não tinha esposa oficial para a imprensa transformar em mártir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...
Jura, que acabou desta forma? A mãe da Débora sumida continuou e ela nem perguntou kkkkk...
Uai, cadê o resto? A mãe da Débora não vai acordar? E o Cláudio e Alice? Oque vai acontecer com o Augusto? E a Bruno? Lorenzo? E a Mônica? Vai mostrar como ela ficou depois? Débora não vai dizer pra Alice que a mãe delas está viva ? Eu quero maaaaaais!!! ...
mas e a mãe da débora?! que o corpo sumiu?...
Finalmente um final feliz pro Thiago e pra Débora, que agoniante foi ler cada processo de sofrimento e distância dos dois pqp...