Nina vestia uma camisa branca simples e uma calça jeans, completamente diferente daquela mulher envolta em grifes que eu me lembrava.
Aquele visual despretensioso, no entanto, acabava lhe conferindo um ar quase ingênuo, embora, por baixo dessa aparência de pureza, existisse uma vergonha difícil de disfarçar.
O rosto dela continuava bonito e delicado, os traços não haviam mudado, mas o corpo estava visivelmente mais magro, mais frágil. A antiga segurança, a esperteza social e a habilidade de agradar a todos tinham desaparecido sem deixar rastros. No olhar, agora havia cansaço e um medo contido, e a presença dela parecia muito menor do que antes.
Nina me estendeu uma caixinha de presente, falando com cuidado:
— Débora, parabéns. Você finalmente tem um negócio próprio. A partir de agora, tudo vai dar cada vez mais certo.
— Obrigada.
Eu peguei a caixa e a deixei sobre a mesa de centro, com a nítida sensação de que ela tinha vindo com algum outro propósito.
Nina ergueu os olhos para mim, hesitou por um instante e perguntou:
— Você não vai abrir para ver?
Eu me surpreendi por um segundo, mas segui o que ela sugeria. Desfiz a fita do presente e levantei a tampa. Dentro, havia um pequeno aromatizador de cerâmica, delicado, e, ao lado, um frasco de óleo aromático. Quando aproximei o vidro do nariz, o cheiro de sálvia me envolveu. Era justamente o tipo de fragrância de que eu gostava.
Na hora, lembrei-me de uma conversa antiga, durante um intervalo de gravação no set. Eu tinha comentado, quase sem pensar, que gostava de incenso e aromatizadores com cheiro de sálvia.
Eu nunca imaginaria que, depois de tanto tempo, Nina ainda se lembraria disso.
— Espero que você goste. — A voz de Nina trazia um amargor discreto, perceptível apenas para quem prestava atenção. — A situação em que eu estou agora… Não me permite comprar nada mais caro.
Enquanto falava, os cílios longos tremiam de leve, como se ela fizesse um esforço enorme para conter a emoção.
Meu coração apertou levemente, e a estranheza só aumentou:
— Eu gostei muito do presente. De verdade. Mas… Nina, aconteceu alguma coisa com você?
Eu permaneci em silêncio por alguns segundos, até finalmente perguntar:
— Você pode, por favor, me contar primeiro o que aconteceu?
— Eu e Lorenzo terminamos. — Os cantos da boca de Nina se ergueram em um sorriso torto, carregado de ironia contra si mesma. — Eu preciso encontrar uma forma de me sustentar. Antes, eu era uma figura pública. Dentro e fora do meio, todo mundo sabia quem eu era. Depois que o relacionamento com o Lorenzo veio a público, então, ficou ainda mais impossível. Qual empresa séria me contrataria?
A voz dela foi ficando cada vez mais baixa, quase apagada:
— Débora, eu não espero que você invista em mim, nem que me coloque em evidência ou me dê um cargo importante. Não estou pedindo isso. Se for para ser apenas assistente, já está ótimo. Se for para servir café, levar documentos, organizar sala, fazer trabalho de apoio… Eu aceito também.
Uma sensação estranha tomou conta de mim.
Para ser honesta, eu nunca tive nada contra Nina como pessoa. Mas aceitar que ela viesse trabalhar no Grupo Lins Comunicação não era uma decisão que eu pudesse tomar por impulso.
Além da imagem que ela carregava e dos possíveis impactos para a empresa, havia ainda outro ponto: Clara certamente não aprovaria aquela ideia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...
Jura, que acabou desta forma? A mãe da Débora sumida continuou e ela nem perguntou kkkkk...
Uai, cadê o resto? A mãe da Débora não vai acordar? E o Cláudio e Alice? Oque vai acontecer com o Augusto? E a Bruno? Lorenzo? E a Mônica? Vai mostrar como ela ficou depois? Débora não vai dizer pra Alice que a mãe delas está viva ? Eu quero maaaaaais!!! ...
mas e a mãe da débora?! que o corpo sumiu?...
Finalmente um final feliz pro Thiago e pra Débora, que agoniante foi ler cada processo de sofrimento e distância dos dois pqp...