— Duzentos e sessenta e três dias?
Eu não consegui evitar e levei a mão à testa. Ele realmente tinha contado os dias com tanta precisão?
Laís me apressou do outro lado da linha:
— Mamãe, quando você chega? O tio Thiago disse que, se você não encontrar o caminho, ele vai buscar você.
As duas claramente não faziam ideia do que estava acontecendo entre mim e Thiago.
No fim, eu acabei mudando de direção e segui para a casa dele.
Quando empurrei a porta, o aroma de comida caseira me envolveu imediatamente.
Na sala de jantar, a mesa comprida estava coberta por pratos cuidadosamente preparados. No centro, um enorme buquê de rosas vermelhas deixava o ambiente ainda mais bonito. Sob a luz suave e amarelada, aquela cena carregava um romantismo discreto que eu não queria admitir.
Por mais que ainda existisse entre nós o abismo chamado Rebeca, fazia tempo que eu não via Thiago. E, diante daquela mesa e de todo aquele cuidado, eu senti as barreiras dentro de mim começarem a ceder, pouco a pouco.
Thiago estava de pé ao lado da mesa, ajustando os talheres e as taças. Quando me viu entrar, sustentou o meu olhar por alguns segundos antes de dizer:
— Débora, vá lavar as mãos e sente-se para comer. Eu não tive tempo de fazer um bolo. A Laís disse que o bolo da confeitaria em frente à escola é delicioso, então eu comprei um pronto.
Eu respondi apenas:
— Hum.
Na mesa, Laís e Rafaela estavam especialmente animadas, conversando sem parar sobre as coisas da escola e disputando a atenção uma da outra.
Eu e Thiago, ao contrário, estávamos carregados de pensamentos que não encontravam saída. Quase não falávamos diretamente um com o outro. Na maior parte do tempo, as nossas palavras chegavam através das meninas, em comentários dispersos aqui e ali.
No meio do jantar, Laís largou o garfo, ergueu o rostinho e perguntou, curiosa:
— Tio Thiago, eu nem lembro quando conheci a minha mãe. Como você consegue lembrar exatamente o dia em que conheceu ela? E ainda sabe que já passaram duzentos e sessenta e três dias?
Ao lado, Rafaela também assentiu com entusiasmo, os olhos brilhando:
— Tio Thiago, então você vai fazer festa nos duzentos e sessenta e quatro dias? E nos duzentos e sessenta e cinco também? Você pode fazer uma comemoração para a tia Débora todos os dias?
As perguntas inocentes das duas fizeram Thiago soltar uma risada baixa. Ele estendeu a mão e bagunçou os cabelos de Rafaela.
Ficamos apenas eu e Thiago à mesa, e o clima mudou imediatamente, tomado por um silêncio estranho.
Depois de alguns segundos, ele falou como se estivesse comentando algo trivial, embora eu soubesse que não era:
— E a empresa? Como estão as coisas? Está tudo correndo bem?
Quando ouvi aquela pergunta, senti um aperto repentino.
Na mesma hora, pensei em Augusto despejando oportunidades e contatos no Grupo Lins Comunicação sem parar, sempre agindo nos bastidores. Um sentimento incômodo de culpa subiu pela minha garganta.
Mesmo não sendo algo que eu tivesse pedido, a simples possibilidade de Thiago interpretar tudo da pior maneira me deixou inquieta.
Então eu respondi de forma vaga:
— Está indo bem, sim. Está tudo correndo normalmente.
O olhar de Thiago escureceu, ganhando um peso diferente. Ele pousou a taça de vinho sobre a mesa, e a expressão tranquila que tinha mantido até então começou a desaparecer, substituída por algo muito mais sério.
— No começo, eu achei que você tinha aberto essa empresa para desafiar a si mesma, para realmente crescer como profissional. Por isso, sempre que pude, eu mantive distância e evitei interferir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...
Jura, que acabou desta forma? A mãe da Débora sumida continuou e ela nem perguntou kkkkk...
Uai, cadê o resto? A mãe da Débora não vai acordar? E o Cláudio e Alice? Oque vai acontecer com o Augusto? E a Bruno? Lorenzo? E a Mônica? Vai mostrar como ela ficou depois? Débora não vai dizer pra Alice que a mãe delas está viva ? Eu quero maaaaaais!!! ...
mas e a mãe da débora?! que o corpo sumiu?...
Finalmente um final feliz pro Thiago e pra Débora, que agoniante foi ler cada processo de sofrimento e distância dos dois pqp...