O rostinho da Rafaela foi murchando aos poucos, e a luz que existia no olhar dela se apagou, quase virando puro desespero.
Ela abaixou a cabeça, as mãos pequenas torcendo a barra do vestido sem perceber.
Então era isso: a Débora também não queria mais ela, o Thiago também não queria mais. Ela tinha voltado a ser aquela criança sem casa, sem lugar no mundo.
Mas eles já tinham sido tão bons para ela.
Ela não sentia ódio deles. Ela só sentia o peito apertado, como se uma mão invisível estivesse espremendo o coração, doendo fundo, ardendo, até faltar o ar.
Rebeca olhou para o jeito vazio, quebrado, como a menina tinha ficado, e a irritação dela só aumentou. Mesmo assim, o tom dela amaciou um pouco, e ela forçou um carinho na voz:
— Rafaela, eu levo você para casa. Eu cuido de você, está bem? Daqui para frente eu não vou deixar mais ninguém encostar um dedo em você.
Rafaela levantou o rosto e olhou para a Rebeca, mas no olhar dela só havia confusão e desamparo.
Ela ainda sentia falta da Débora, daquela mulher que tinha dado para ela um tipo de calor que parecia mesmo de mãe de verdade.
Mas ela sabia que não tinha escolha nenhuma para fazer.
Melissa não queria ela, Débora também não queria. Agora só a tia ainda aceitava ficar com ela, e isso já parecia um milagre grande demais.
Ela fungou, forçou as lágrimas de volta para dentro.
Ela lembrava do que a professora tinha falado: só criança corajosa é que é querida. Adulto não gosta de criança que só chora. Ela não podia deixar a tia com raiva de novo.
No fim, ela só assentiu, bem devagar, a voz fininha, quase sumida:
— Está… Está bem.
Rebeca sentiu um alívio imediato, mas, junto com ele, veio um aperto estranho que deixou o peito dela pesado.
…
Na FPA Advogados.
Eu estava sentada no sofá do escritório do Thiago, esperando ele terminar a reunião.
Do lado de fora, o sol entrava pelas janelas de vidro, atravessava as lâminas da persiana e caía no chão em faixas estreitas de luz e sombra.
Depois que eu saí da cafeteria e me separei da Rebeca, eu vim direto para cá e contei para ele sobre o nosso encontro.
Só que, nesse momento, a expressão do Thiago escureceu. Ele segurou o meu pulso, os dedos apertando com força, e a voz veio carregada de uma bronca contida:
— Você está se achando muito dona do próprio nariz, não está?
Eu abri a boca para responder, mas ele não deixou:
— Você não viu o jeito que a Rebeca enlouqueceu ontem à noite? E, mesmo assim, você teve coragem de ir encontrá-la sozinha. E se alguma coisa ruim acontece com você?
Eu olhei para a linha dura do maxilar dele… E acabei rindo.
— Não precisa ficar assim. Enquanto você não aparece, o estrago não é tão grande. — Eu alonguei de propósito as palavras, com um brilho de provocação no olhar. — Thiago, você é muito irresistível. Conseguiu fazer uma princesa mimada perder a cabeça desse jeito.
O rosto do Thiago suavizou um pouco, mas ele não soltou o meu pulso.
No segundo seguinte, ele se inclinou de repente, puxou o meu corpo e me prendeu com força contra o peito.
O queixo com a barba por fazer roçou no alto da minha cabeça, e a voz dele veio rouca, baixa, cheia de uma ternura quente e insinuante:
— Eu não ligo se o resto do mundo enlouquece ou não. Mas eu quero ver você perder a cabeça por mim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...
Jura, que acabou desta forma? A mãe da Débora sumida continuou e ela nem perguntou kkkkk...
Uai, cadê o resto? A mãe da Débora não vai acordar? E o Cláudio e Alice? Oque vai acontecer com o Augusto? E a Bruno? Lorenzo? E a Mônica? Vai mostrar como ela ficou depois? Débora não vai dizer pra Alice que a mãe delas está viva ? Eu quero maaaaaais!!! ...
mas e a mãe da débora?! que o corpo sumiu?...
Finalmente um final feliz pro Thiago e pra Débora, que agoniante foi ler cada processo de sofrimento e distância dos dois pqp...