…
À noite, quando eu voltei da empresa, Thiago não estava em casa.
Dona Joana comentou sobre a Rafaela, e eu fiquei com o coração todo embaralhado.
Passava um pouco das onze quando eu finalmente ouvi passos conhecidos no corredor do lado de fora do quarto.
Eu corri para abrir a porta. Com o paletó preto jogado sobre o braço longo, Thiago parecia um pouco cansado.
Eu fui correndo ao encontro dele e perguntei, tensa:
— Você está bem? O Lorenzo conseguiu trazer a Rafaela de volta?
Thiago lançou um olhar para dentro do meu quarto e falou:
— Você não vai deixar eu entrar?
Eu entendi na hora o que ele queria. Mesmo sem clima nenhum para isso, eu ainda assim abri espaço e o deixei entrar. Depois eu voltei direto ao assunto da Rafaela.
Thiago se sentou no meu quarto e só então começou a me contar, com calma, o que tinha acontecido na Casa Verve.
Quando eu ouvi que a Rebeca, de jeito nenhum, aceitava devolver a Rafaela, eu desanimei na hora e falei de propósito, só para provocar:
— Já que a Rebeca gosta tanto de você assim, por que você não fica com ela? Ela fica com você, e eu fico com a Rafaela.
Thiago, ao ouvir o meu comentário atravessado, deu uma risada sem graça e me puxou para os braços dele:
— Se for para eu ir lá me trocar pela Rafaela, até dá para pensar no caso. Mas você conseguiria aceitar isso?
Eu virei o rosto, sem encarar ele. Minha cabeça estava uma bagunça, eu não fazia ideia de como convencer a Rebeca a entregar a Rafaela.
Thiago deixou a brincadeira de lado e falou, num tom mais sério, tentando me acalmar:
— Você não precisa se desesperar. Se a Rebeca teve coragem de tirar a Rafaela das mãos da Melissa, isso mostra que a consciência dela ainda não morreu de vez. Ela não vai machucar uma criança. A Rafaela está segura por enquanto. Se ninguém a provocar, ela é capaz de cuidar bem da Rafaela por um tempo.
Eu soltei um suspiro pesado, com o olhar cheio de impotência:
— Se ela conseguir cuidar da Rafaela direito e realmente assumir essa responsabilidade, no fundo isso já seria alguma coisa. Se a Rafaela tiver um lugar estável, onde alguém cuide bem dela, eu não fico tão angustiada assim.
Thiago suspirou de leve e respondeu:
— Com o estado mental em que ela está, o que você acha que a Rafaela vai aprender convivendo com ela?
Na hora eu entendi o que ele queria dizer e, ao mesmo tempo, senti uma raiva misturada com vontade de rir.
Mesmo sabendo que a culpa não era exatamente dele, eu ainda soltei:
— O povo vive dizendo que mulher bonita traz problema. No nosso caso, virou o quê? Homem bonito também dá trabalho. Sr. Thiago, você está fazendo sucesso demais. Mesmo nessa idade, ainda causa esse rebuliço todo. Realmente não falta candidata para você.
Thiago percebeu a ironia nas minhas palavras. Uma sombra de constrangimento passou pelo rosto dele. Ele pigarreou de leve e falou:
— Como é que a culpa caiu toda em cima de mim? Eu não deixei clara a minha posição desde o começo?
Eu lancei um olhar de lado para ele.
Quando eu lembrei de tudo que a Rebeca tinha aprontado naquele dia, eu não aguentei e desabafei:
— A Rebeca é uma pessoa muito estranha. Se eu quiser dizer que ela é boa, eu lembro das confusões que ela cria, uma pior que a outra, sempre causando dor de cabeça. Mas, se eu quiser dizer que ela é má, ela não ficou parada vendo a Melissa machucar a Rafaela.
Thiago olhou para mim e respondeu:
— As pessoas não são totalmente boas nem totalmente más. Ninguém é cem por cento santo ou cem por cento demônio. Gente totalmente podre, como a Mônica ou a Melissa, é exceção.
De repente, meus olhos brilharam, como se eu tivesse uma ideia. Eu levantei a cabeça e olhei para ele:
— E se a gente processar a Melissa por maus-tratos contra uma criança? A gente pede para a Justiça tirar a guarda da Rafaela das mãos dela.
— Isso é muito difícil. — Thiago balançou a cabeça, com o semblante sério. — Maus-tratos não são fáceis de provar. Como é que a lei define isso com precisão? Uma surra que os pais dão entra em que categoria? Até onde é considerado disciplina e a partir de que ponto passa a ser crime? E quando se trata de violência psicológica, como é que a gente prova? A Rafaela ainda é muito pequena, ela não consegue descrever os detalhes. Mesmo que ela fale alguma coisa, o depoimento de uma criança tão nova dificilmente seria suficiente para convencer um juiz. Conseguir que um tribunal condene a Melissa é quase impossível.
Ele fez uma pequena pausa e então mudou o foco:
— Por isso, o jeito mais eficaz ainda é encontrar os pais biológicos da Rafaela. Só eles têm o direito legal de pedir a guarda da filha de volta.
— Se ela conseguir cuidar da Rafaela direito e realmente assumir essa responsabilidade, no fundo isso já seria alguma coisa. Se a Rafaela tiver um lugar estável, onde alguém cuide bem dela, eu não fico tão angustiada assim.
Thiago suspirou de leve e respondeu:
— Com o estado mental em que ela está, o que você acha que a Rafaela vai aprender convivendo com ela?
Na hora eu entendi o que ele queria dizer e, ao mesmo tempo, senti uma raiva misturada com vontade de rir.
Mesmo sabendo que a culpa não era exatamente dele, eu ainda soltei:
— O povo vive dizendo que mulher bonita traz problema. No nosso caso, virou o quê? Homem bonito também dá trabalho. Sr. Thiago, você está fazendo sucesso demais. Mesmo nessa idade, ainda causa esse rebuliço todo. Realmente não falta candidata para você.
Thiago percebeu a ironia nas minhas palavras. Uma sombra de constrangimento passou pelo rosto dele. Ele pigarreou de leve e falou:
— Como é que a culpa caiu toda em cima de mim? Eu não deixei clara a minha posição desde o começo?
Eu lancei um olhar de lado para ele.
Quando eu lembrei de tudo que a Rebeca tinha aprontado naquele dia, eu não aguentei e desabafei:
— A Rebeca é uma pessoa muito estranha. Se eu quiser dizer que ela é boa, eu lembro das confusões que ela cria, uma pior que a outra, sempre causando dor de cabeça. Mas, se eu quiser dizer que ela é má, ela não ficou parada vendo a Melissa machucar a Rafaela.
Thiago olhou para mim e respondeu:
— As pessoas não são totalmente boas nem totalmente más. Ninguém é cem por cento santo ou cem por cento demônio. Gente totalmente podre, como a Mônica ou a Melissa, é exceção.
De repente, meus olhos brilharam, como se eu tivesse uma ideia. Eu levantei a cabeça e olhei para ele:
— E se a gente processar a Melissa por maus-tratos contra uma criança? A gente pede para a Justiça tirar a guarda da Rafaela das mãos dela.
— Isso é muito difícil. — Thiago balançou a cabeça, com o semblante sério. — Maus-tratos não são fáceis de provar. Como é que a lei define isso com precisão? Uma surra que os pais dão entra em que categoria? Até onde é considerado disciplina e a partir de que ponto passa a ser crime? E quando se trata de violência psicológica, como é que a gente prova? A Rafaela ainda é muito pequena, ela não consegue descrever os detalhes. Mesmo que ela fale alguma coisa, o depoimento de uma criança tão nova dificilmente seria suficiente para convencer um juiz. Conseguir que um tribunal condene a Melissa é quase impossível.
Ele fez uma pequena pausa e então mudou o foco:
— Por isso, o jeito mais eficaz ainda é encontrar os pais biológicos da Rafaela. Só eles têm o direito legal de pedir a guarda da filha de volta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...
Jura, que acabou desta forma? A mãe da Débora sumida continuou e ela nem perguntou kkkkk...
Uai, cadê o resto? A mãe da Débora não vai acordar? E o Cláudio e Alice? Oque vai acontecer com o Augusto? E a Bruno? Lorenzo? E a Mônica? Vai mostrar como ela ficou depois? Débora não vai dizer pra Alice que a mãe delas está viva ? Eu quero maaaaaais!!! ...
mas e a mãe da débora?! que o corpo sumiu?...
Finalmente um final feliz pro Thiago e pra Débora, que agoniante foi ler cada processo de sofrimento e distância dos dois pqp...