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Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle romance Capítulo 884

Eu perguntei, chocada:

— Foi uma empregada da família Fonseca que levou a Rafaela para o abrigo? Então, afinal, de quem essa menina é filha? Da Mônica ou da Alice?

— Por enquanto não dá para bater o martelo. — Thiago respondeu. — Eu não achei nenhum registro de parto nem da Mônica nem da Alice. Ainda não dá para saber qual das duas teve essa criança.

Thiago continuou, em um tom calmo, mas firme:

— Só que, se a gente olhar para a linha do tempo, naquela época a Alice já tinha sofrido o acidente e tinha perdido a capacidade de engravidar. Então, muito provavelmente, essa criança não é dela.

A ponta dos meus dedos gelou, e a minha voz saiu trêmula sem que eu conseguisse controlar:

— Então quer dizer que existe uma grande chance de a Rafaela ser filha da Mônica? E o pai da criança… pode ser o meu irmão? Mas por que eles mandariam a menina para um abrigo? Será que o meu irmão sabe disso?

— Eu acho que o seu irmão não faz ideia. — Thiago falou com convicção. — Quando eu fui atrás dessas informações, eu descobri que, todos esses anos, ele vinha procurando notícias da filha em segredo. Eu imagino que, na época, a Mônica não quisesse ficar presa a uma criança tão cedo e, por isso, tenha se livrado dela às escondidas.

Eu sabia que a Mônica era cruel, mas eu não fazia ideia de que ela poderia ser cruel a esse ponto, capaz de simplesmente descartar a própria filha. No fim das contas, a situação miserável em que a Rafaela tinha parado também tinha o dedo dela.

Eu senti o ódio subir na garganta e falei entre dentes:

— Se o meu irmão souber de tudo isso, ele com certeza vai enxergar quem a Mônica é de verdade. Ele não vai continuar enganado desse jeito! A nossa família não precisa chegar a esse ponto de estar toda destruída.

Thiago balançou a cabeça:

— Do jeito que ele está cego pela Mônica hoje, se você jogar a verdade na cara dele assim, ele pode muito bem não acreditar. Ele pode achar que você está tentando separar os dois de propósito, que você está perseguindo a Mônica.

Esse balde de água fria me fez respirar fundo e me acalmar. Eu franzi a testa e perguntei:

— E a empregada que entregou a criança? Se a gente conseguir encontrar essa mulher e fizer ela contar que foi a Mônica que mandou deixar a menina no abrigo, isso vira prova incontestável. A Mônica não teria como negar.

Thiago respondeu:

Antes de ir embora, o médico repetiu várias vezes que, durante a noite, Rebeca precisava medir a temperatura da criança de hora em hora e, se passasse de trinta e nove graus, ela tinha que ir direto para o hospital.

Naquele momento, Rebeca respondeu com firmeza, dizendo que ia fazer exatamente como o médico mandou. Mas, quando a madrugada chegou de verdade, o sono veio como uma onda pesada.

Rebeca nunca tinha sido mãe, nunca tinha cuidado de criança. Ela era totalmente inexperiente nesse tipo de coisa.

Rafaela podia até ser, no papel, a sobrinha dela, mas, no fim, não existia laço de sangue entre as duas. No começo, Rebeca ainda se segurou pela responsabilidade, deixou o alarme do celular programado e levantou duas vezes para medir a temperatura da menina.

Só que, como ela trabalhava o dia inteiro, quando a madrugada avançou, ela simplesmente não aguentou mais. Encostou na cabeceira da cama e acabou pegando no sono ali mesmo.

Na manhã seguinte, bem cedo, Rebeca acordou assustada com um murmúrio baixinho. Ela abriu os olhos de repente e virou o rosto para olhar a criança na cama, com o coração disparando de preocupação.

A respiração de Rafaela estava assustadoramente acelerada.

— Tia Débora… tia Débora… — A menina chamou, numa voz fraca e febril.

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