Augusto tinha me olhado algumas vezes a mais, mas não era nada além daquele olhar de um ex-marido para sua ex-esposa.
Eu já tinha assinado e entregue o acordo de divórcio. Agora que ele e Mônica estavam em uma relação escancarada, como ele poderia ainda ter qualquer interesse em mim?
Paulo, com certeza, não sabia jogar bem as suas peças.
Permaneci sentada no meu lugar, imóvel, em uma resistência silenciosa. Mas não esperava que Paulo fosse tão ousado. Ele simplesmente me puxou pelo braço e trocou o meu lugar com o dele.
Com um sorriso bajulador, ele disse para Augusto:
— Sr. Augusto, esta é Débora, nossa nova funcionária. Hoje ela está aqui especialmente para atendê-lo e cuidar da sua bebida.
As palavras de Paulo me causaram um nojo imediato, e eu me levantei na mesma hora, pronta para sair.
Mas Augusto, de repente, segurou meu pulso.
Eu franzi as sobrancelhas, encarando-o. Será que agora que estávamos divorciados, ele pretendia me expor publicamente como sua ex-esposa? Quando éramos casados, ele sempre escondia tudo.
Eu realmente superestimei o que Augusto poderia sentir por mim.
Ele já tinha tornado pública sua relação com Mônica, e todos acreditavam que eles eram o casal perfeito. Como ele poderia assumir em público que um dia eu fui sua esposa?
Augusto segurou meu pulso com firmeza. Seus olhos escuros e profundos estavam inexpressivos, impossíveis de decifrar. Ele murmurou com uma voz calma, mas carregada de reprovação:
— Débora, eu sou algum tipo de monstro devorador de pessoas? Servir uma bebida para mim é tão difícil assim?
O tom frio de Augusto fez com que todos ao redor ficassem em completo silêncio, quase sem respirar.
Paulo, assustado, inclinou-se para mim e sussurrou:
— Débora, trate de atender bem ao Sr. Augusto! Se você estragar isso, tanto você quanto a Eduarda podem dar adeus aos seus empregos!
Eu respirei fundo. Perder meu emprego não era um grande problema para mim, mas Eduarda estava grávida. Com a origem humilde e complicada dela, não tinha sido fácil chegar ao cargo de diretora.
Engoli meu orgulho, forcei um sorriso que parecia mais um choro e servi o vinho para Augusto.
Os dedos longos e bem definidos de Augusto seguraram a taça com elegância, e ele a estendeu na minha direção.
Sem que ele precisasse dizer uma palavra, Paulo, sempre atento ao menor sinal, já se adiantou:
— Débora, por que você não faz um brinde com o Sr. Augusto? — Ele sussurrou, irritado. — Você não tem um pingo de bom senso?
Antes que eu pudesse responder, alguém na mesa começou a incentivar:
— Paulo, a sua assistente deixou o Sr. Augusto esperando tanto tempo com a taça na mão. Só um brinde não é suficiente! No mínimo, três doses, para compensar!


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Tá ficando cansativo! Poxa rodeia e rodeia e nunca conclui o livro. Já vou deixar pra lá! Está cansativo a história. 🙄...
Pocha......