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Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle romance Capítulo 914

Meu peito parecia ter sido espetado por centenas de agulhas, uma dor miúda e insistente se espalhando por dentro.

Eu segurei o ardor nos olhos, engoli o choro, forcei um sorriso torto e falei:

— O pai acabou de ser enterrado, o corpo dele nem esfriou ainda. E vocês já estão sentados no lugar que ele mais amava, correndo para dividir tudo que ficou no nome dele. O coração de vocês não dói nem um pouco?

Quando Maria ouviu isso, o rosto dela escureceu na hora, tomado pela raiva. Ela retrucou, ferida e furiosa:

— Quem não tem coração aqui é você! Não somos nós! Você ainda tem coragem de falar de consciência? Antes, você vivia dizendo que a Mônica armava contra você, que ela era horrível, que ela era uma mulher péssima. Mas o que eu vi foi você, na nossa frente, usando o poder do Thiago para bater nela, até ela perder o bebê! Você foi capaz de uma crueldade dessas, e ainda tem coragem de falar em consciência?

Ela levantou a mão, o dedo quase encostando na ponta do meu nariz, e rosnou entre os dentes:

— Eu já fui boa demais com você por não ter mandado você embora sem nada, por não ter feito você pagar pelo que fez! Débora, me diz: em que exatamente a família Lins falhou com você, para você tratar a gente desse jeito?

— Isso mesmo! — Jacarias entrou na conversa na mesma hora. — No fim das contas, tudo isso não é porque você não quer assinar? Claro, para você, essa fortuna toda já não significa nada, não é? O que você quer é aproveitar a morte do meu pai, usar a desculpa de que você cuida da empresa, para ir, aos poucos, engolindo tudo que é da família Lins sozinha. Você acha mesmo que nós não percebemos a sua intenção?

Eu continuei parada, com o peito tão apertado que eu mal conseguia respirar. Meu olhar subiu para a parede, onde um retrato de família, coberto por uma fina camada de poeira, ainda pendia torto. O meu nariz ardeu.

"Pai, me desculpa. Em vida, o senhor me pediu para cuidar da família Lins, do Grupo Lins, para segurar esta casa de pé. Mas agora… esta casa já acabou."

O meu coração gelou de vez.

Eu ergui os olhos de novo. O meu olhar passou pelo rosto distorcido de ódio da Maria e do Jacarias, até parar na Mônica, logo ao lado.

Ela tinha um sorriso quase imperceptível nos lábios, mas, no fundo dos olhos, o brilho de excitação e provocação queimava intenso.

Era o olhar de quem se via vitoriosa, a expressão de quem via a própria guerra chegar ao fim exatamente do jeito que queria: soberba, satisfeita. Em outros tempos, eu certamente teria ido para cima dela, arrancado máscara por máscara, jogado na cara de todos a sujeira das jogadas dela.

Agora, eu só sentia cansaço. Um cansaço tão fundo que nem raiva eu conseguia sentir.

Eu desviei o olhar pouco a pouco, voltei a encarar a Maria e soltei um suspiro:

— Não precisa de assinatura nenhuma. Tudo que é da família Lins, as ações do Grupo Lins, os imóveis, o dinheiro, absolutamente tudo… eu não quero nada. Nem um centavo.

Para a Maria, eu nunca fui nada além de uma estranha.

Só que todo mundo precisa arcar com as próprias escolhas. Um dia, eles ainda vão entender o que deixaram escapar, o que jogaram fora com as próprias mãos.

Quando a verdadeira face da Mônica aparecer, eles vão perceber o tamanho da própria estupidez.

Eu não olhei para eles outra vez. Eu me virei e caminhei em direção à porta. Thiago veio logo atrás, alcançou o meu ombro e me segurou com firmeza.

Ele não disse nada. Ele só ficou ali, ao meu lado, em silêncio, passo a passo, enquanto nós saíamos juntos daquela casa que já não era, e nunca mais seria, minha.

Na casa da família Ribeiro.

As duas crianças, claramente já sabendo de tudo pela boca da Dona Joana, se aproximaram um de cada lado, em silêncio. Elas se encostaram em mim, agarrando a barra da minha roupa com as mãozinhas, e começaram a me consolar em voz baixa.

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