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Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle romance Capítulo 963

Eu senti o coração apertar e, por reflexo, olhei na direção da minha sala. Como eu já temia, eu vi o Thiago parado bem na porta do meu escritório.

Ele estava, como sempre, em um terno sob medida impecável, a gravata perfeitamente alinhada, a imagem exata de um executivo de alto nível. Mas, dessa vez, ele estava ainda mais sombrio do que o normal.

Talvez por perceber o peso do meu olhar, ele também ergueu os olhos e me encarou.

Eu disse para a Eduarda:

— Depois eu te explico. Eu vou lá falar com ele.

Então eu segui direto em direção à minha sala. Thiago entrou atrás de mim e, antes mesmo de eu dizer qualquer coisa, ele fechou a porta com a mão.

Eu o encarei com calma e perguntei:

— O que você está fazendo aqui? Ontem eu já tinha deixado tudo bem claro para a sua avó. Ela não falou com você?

— Ela falou. — O rosto dele estava fechado, a expressão dura. Era óbvio que ele estava se segurando.

— Já que ela falou, eu imagino que ela também tenha pedido para você respeitar a minha decisão.

Thiago ignorou essa parte e foi direto ao ponto:

— Eu fiquei sabendo que você está correndo atrás de advogado por aí para defender a Alice. Por que você não veio falar comigo?

Eu não respondi. Eu apenas continuei olhando para ele.

Diante do meu silêncio, provavelmente ele se lembrou das palavras que ele mesmo tinha dito naquele dia. O homem que sempre se colocava acima de todo mundo amoleceu um pouco o tom de voz:

— O que eu falei aquele dia foi no calor do momento. Eu quero pedir desculpas de novo. Você não precisa se desgastar por causa do caso da sua irmã. Eu vou dar um jeito nisso. A FPA Advogados tem todos os recursos de que você precisa.

— Não precisa. — Eu respondi de forma serena, sem elevar a voz. — Eu já praticamente resolvi isso por conta própria.

A testa do Thiago se franziu com força. Ele achou que eu estivesse inventando desculpa para afastar ele:

— Como você resolveu? Essa situação foi um buraco que o Augusto cavou. Se você não for atrás dele, você não resolve nada.

O peito dele subia e descia rápido, descompassado:

— Só porque eu escondi de você o que estava acontecendo com a Alice? Porque eu tive medo de ver você, mais uma vez, se jogando em uma armadilha do Augusto por causa da sua família? Você acha que essa é a forma certa de me punir?

Eu senti a dor latejar no pulso e franzi a testa. Só então ele afrouxou os dedos e me soltou.

— Thiago, o que você chama de proteção, na prática, é me trancar no lugar que você considera seguro e nem sequer me dar o direito de saber o que está acontecendo.

Eu levantei o queixo, encarei os olhos dele por trás das lentes dos óculos — cheios de frustração — e falei com toda a seriedade:

— Eu sou muito grata por tudo o que você fez pela Laís, pela Rafaela e por mim. Mas nós pensamos de formas diferentes. Você calcula cada passo antes de agir. Eu só quero conseguir deitar a cabeça no travesseiro em paz. Você mede qualquer situação pelo lucro e pelo prejuízo. Eu dou um peso enorme para a família, lealdade, certo e errado. Se a gente insiste em ficar amarrados um ao outro, a única coisa que a gente faz é se desgastar. Viver assim, para nós dois, é um erro. E, em erro, o melhor é parar antes que fique pior.

Um lampejo de desorientação passou pelo olhar do Thiago. Ele parecia ter entendido parte do que eu dizia, mas não tudo.

Depois de um longo silêncio, ele acabou dizendo, em voz baixa:

— A diferença de visão de mundo dá para ajustar com o tempo. Eu me arrependo do que eu falei aquele dia. Eu peço desculpas. Daqui para frente, eu vou saber calar a boca. Mesmo que você não consiga me perdoar agora, o que aconteceu com a sua irmã começou por minha causa. Deixa eu resolver isso para você, pode ser?

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