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Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle romance Capítulo 967

O olhar da Alice passou pelo Cláudio sem qualquer ondulação, como se ele fosse só mais uma pedra no caminho.

Mas, quando ela olhou para mim, tinha muita coisa naquele olhar que ela não disse em voz alta.

— Débora… — Ela chamou meu nome com a voz rouca, quase sem força, e murmurou, engasgada. — Me desculpa. Dessa vez eu acabei arrastando você para o meio disso tudo.

Depois disso, ela se virou para o Cláudio:

— Eu também devia pedir desculpa para você. A culpa foi minha. Eu não devia ter insistido para você usar aquela proposta problemática. Mas eu não me juntei ao Augusto, eu nunca estive do lado dele.

— Eu sei. Alice, você não precisa se explicar. Eu entendo.

O Cláudio olhava para o rosto dela, tão pálido e frágil, e eu via que o peito dele apertava, como se alguém estivesse torcendo o coração dele com a mão.

Ele forçou um sorriso de alívio e falou:

— A gente faz besteira quando se importa demais. Eu sei que você fez isso porque se preocupa comigo. Para mim, isso já é o suficiente. Você só foi inocente demais. Eu já tinha sido preso, não fazia sentido você ir se entregar também, só para dar a chance perfeita para o Augusto derrubar a nós dois de uma vez.

A Alice respondeu num tom calmo, quase frio:

— Eu fiz isso porque, se eu me entregasse, talvez eu conseguisse aliviar a sua culpa. Caso contrário, eu seria a pessoa mais ingrata do mundo. Você é o meu benfeitor. Eu preciso pagar essa dívida com você.

O corpo do Cláudio estremeceu. O pouco de cor que ainda restava no rosto dele sumiu, e a luz no olhar dele apagou, deixando só frustração e desamparo.

Demorou um tempo até ele conseguir falar:

— Então… É só por gratidão?

A Alice ficou em silêncio. Ela não respondeu, só continuou encarando a foto da minha mãe na lápide, como se estivesse em outro lugar.

Quando eu vi aquela cena, eu soltei um suspiro, dei dois tapinhas de leve no braço do Cláudio e falei baixinho:

— Por enquanto, vai para casa. Do jeito que ela está, eu acho que ela precisa muito ficar em silêncio, sozinha, um pouco.

Os lábios do Cláudio se mexeram algumas vezes antes que ele conseguisse dizer qualquer coisa. O olhar dele continuava preso na Alice, cheio de apego, e a voz saiu amarga:

Ela falou, soluçando:

— Eu fui uma filha péssima, uma filha ingrata. Todos esses anos eu tratei outra mulher como mãe, sem nunca pensar em procurar a minha mãe de verdade. Será que a mamãe consegue me perdoar?

Eu me agachei ao lado dela e segurei a mão gelada dela com cuidado:

— A mamãe nunca iria culpar você. Quando ela sofreu o acidente de carro, eu ainda era muito pequena. Se isso não tivesse acontecido, eu tenho certeza de que ela mesma teria voltado para te procurar, para te buscar. Agora, lá de cima, ela deve estar muito feliz. Porque a gente se reencontrou.

As lágrimas da Alice caíram ainda com mais força. Ela assentiu com energia, e o pranto encharcou a terra fofa do cemitério. Ela repetia, uma vez atrás da outra, para a foto da minha mãe:

— Mamãe, fica tranquila. Eu e a Débora vamos ficar bem, muito bem. A gente… Vai se esforçar para viver direito, para te dar orgulho.

Ali, diante da lápide, ficamos só eu e a Alice, e ela começou a me contar o que tinha vivido todos esses anos.

Quanto mais ela falava, mais o meu peito doía. Eu me sentia esmagada pela tristeza e pela culpa. Eu me odiava por não ter descoberto antes que eu tinha uma irmã mais velha. E me doía ainda mais lembrar que, um dia, eu cheguei a enxergar essa mesma irmã como uma inimiga em potencial.

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