O olhar da Alice passou pelo Cláudio sem qualquer ondulação, como se ele fosse só mais uma pedra no caminho.
Mas, quando ela olhou para mim, tinha muita coisa naquele olhar que ela não disse em voz alta.
— Débora… — Ela chamou meu nome com a voz rouca, quase sem força, e murmurou, engasgada. — Me desculpa. Dessa vez eu acabei arrastando você para o meio disso tudo.
Depois disso, ela se virou para o Cláudio:
— Eu também devia pedir desculpa para você. A culpa foi minha. Eu não devia ter insistido para você usar aquela proposta problemática. Mas eu não me juntei ao Augusto, eu nunca estive do lado dele.
— Eu sei. Alice, você não precisa se explicar. Eu entendo.
O Cláudio olhava para o rosto dela, tão pálido e frágil, e eu via que o peito dele apertava, como se alguém estivesse torcendo o coração dele com a mão.
Ele forçou um sorriso de alívio e falou:
— A gente faz besteira quando se importa demais. Eu sei que você fez isso porque se preocupa comigo. Para mim, isso já é o suficiente. Você só foi inocente demais. Eu já tinha sido preso, não fazia sentido você ir se entregar também, só para dar a chance perfeita para o Augusto derrubar a nós dois de uma vez.
A Alice respondeu num tom calmo, quase frio:
— Eu fiz isso porque, se eu me entregasse, talvez eu conseguisse aliviar a sua culpa. Caso contrário, eu seria a pessoa mais ingrata do mundo. Você é o meu benfeitor. Eu preciso pagar essa dívida com você.
O corpo do Cláudio estremeceu. O pouco de cor que ainda restava no rosto dele sumiu, e a luz no olhar dele apagou, deixando só frustração e desamparo.
Demorou um tempo até ele conseguir falar:
— Então… É só por gratidão?
A Alice ficou em silêncio. Ela não respondeu, só continuou encarando a foto da minha mãe na lápide, como se estivesse em outro lugar.
Quando eu vi aquela cena, eu soltei um suspiro, dei dois tapinhas de leve no braço do Cláudio e falei baixinho:
— Por enquanto, vai para casa. Do jeito que ela está, eu acho que ela precisa muito ficar em silêncio, sozinha, um pouco.
Os lábios do Cláudio se mexeram algumas vezes antes que ele conseguisse dizer qualquer coisa. O olhar dele continuava preso na Alice, cheio de apego, e a voz saiu amarga:
Ela falou, soluçando:
— Eu fui uma filha péssima, uma filha ingrata. Todos esses anos eu tratei outra mulher como mãe, sem nunca pensar em procurar a minha mãe de verdade. Será que a mamãe consegue me perdoar?
Eu me agachei ao lado dela e segurei a mão gelada dela com cuidado:
— A mamãe nunca iria culpar você. Quando ela sofreu o acidente de carro, eu ainda era muito pequena. Se isso não tivesse acontecido, eu tenho certeza de que ela mesma teria voltado para te procurar, para te buscar. Agora, lá de cima, ela deve estar muito feliz. Porque a gente se reencontrou.
As lágrimas da Alice caíram ainda com mais força. Ela assentiu com energia, e o pranto encharcou a terra fofa do cemitério. Ela repetia, uma vez atrás da outra, para a foto da minha mãe:
— Mamãe, fica tranquila. Eu e a Débora vamos ficar bem, muito bem. A gente… Vai se esforçar para viver direito, para te dar orgulho.
Ali, diante da lápide, ficamos só eu e a Alice, e ela começou a me contar o que tinha vivido todos esses anos.
Quanto mais ela falava, mais o meu peito doía. Eu me sentia esmagada pela tristeza e pela culpa. Eu me odiava por não ter descoberto antes que eu tinha uma irmã mais velha. E me doía ainda mais lembrar que, um dia, eu cheguei a enxergar essa mesma irmã como uma inimiga em potencial.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...