Poder e status já eram fumaça passageira, restava apenas a responsabilidade.
Bruno abriu a gaveta, tirou um maço de cigarros, pegou um e levou aos lábios. Ao acender, seus dedos tremiam, mas ele não ligou. Contemplou o cigarro entre os lábios, tragando profundamente. A fina fumaça se misturou à profundidade de seus olhos.
A porta da biblioteca rangeu ao ser aberta. Bruno, surpreso e irritado, perguntou:
— Quem está aí?
Entrou a secretária Juliana, sussurrando:
— Sou eu.
— Ah, é você. — Bruno relaxou, se recostando na cadeira e suspirando baixinho antes de perguntar. — Por que veio aqui a essa hora?
Juliana se aproximou e começou a organizar a mesa do chefe, falando:
— O trabalho na empresa acabou agora. Não pude deixar de vir verificar, e realmente, o senhor ainda está ocupado.
Quando a ponta dos dedos dela tocou o diário, quase não aguentou as lágrimas. Ela o fechou suavemente, sem se atrever a olhar. Juliana pensou melhor e tentou aconselhá-lo:
— Seu corpo não aguenta mais tanto esforço! O Dr. Aragão disse que o senhor precisa descansar. Trabalhar noite e dia só vai acabar com sua saúde.
Bruno sorriu amargamente. Ele se levantou e caminhou até a janela de vidro, contemplando a escuridão lá fora. Após algum tempo, falou baixinho:
— Tenho medo de que Helena se canse demais. Juliana, até que os meus filhos cresçam, esse fardo vai ter que passar por ela, não existe outra pessoa mais capaz de lidar com isso. O Grupo Glory parece tranquilo, mas tem muita turbulência debaixo dos panos. Eduardo não consegue controlar as pessoas e ainda tem aquele histórico... Só a Helena pode lidar. Ela vai ter que assumir logo após o parto, e com certeza não será fácil, preciso abrir o caminho para ela. Pelo menos dois anos, quero garantir dois anos de segurança. Depois, acredito que ela consegue seguir bem, sempre soube que ela tem essa capacidade...
Ao terminar, a voz de Bruno carregava não só tristeza, mas também orgulho.
Seu apreço por Helena ia além da aparência ou da personalidade, havia admiração. Uma mulher que esteve ao seu lado, enfrentando tanto, era inesquecível por si só.
Sim, admiração. Eles eram o apoio um do outro.
— Para de me olhar assim! Não caio nesse seu olhar de cachorrinho pidão à beira da morte! Sabe, Bruno, sempre que você me olha desse jeito, já sei que vou ter problemas.
Ele se sentou à mesa, pegou algo aleatoriamente e ficou brincando com o objeto nas mãos. Logo franziu a testa, encarando um frasco de remédio.
"Que diabos é isso?"
Ele estudou o frasco por cerca de dois minutos antes de erguer os olhos, encarando Bruno fixamente. Ao falar, a sua voz saiu rouca e trêmula:
— Bruno, você está fazendo algum truque de novo? Acha que vou acreditar? Um homem saudável e inteirinho tomando remédio para quê? Fala a verdade, é alguma conspiração sua?
Dito isso, Eduardo chegou a avançar, agarrando o colarinho dele, com o rosto contorcido de raiva.
Comparado a ele, Bruno estava bem calmo. Ele olhou para Eduardo e disse suavemente:
— É o remédio que eu tomo! Para controlar a doença! Mas está claro que não funciona mais! Eduardo, desde pequenos brigamos tanto, nunca imaginei que, no fim, eu desejaria confiar minha esposa e meus filhos a você. Porque não consigo pensar em ninguém melhor para acompanhar Helena e manter o Grupo Glory vivo e bem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois que Fui Embora, o Canalha Ficou Louco
Já está uma semana no capítulo 530. Não vão finalizar o livro?...
A história é maravilhosa, mas e as atualizações? GoodNovel lembre-se do seu compromisso com os leitores....
Acho extremamente injusto só liberar duas páginas minúsculas por dia. As primeiras são maiores agora da 370 em diante são muito pequenas. Não é justo. A gente paga pra liberar as páginas para leitura e só recebe isso. Como o valor que eu já paguei pra liberar poderia comprar 2 livros na livraria...
O livro acabou ou não? Parei na página 363...
Acabou??...
Agora me diz porque fazer propaganda de um livro e não postar sequer uma atualização…...